Coisas da Educação

O Blog onde se pode falar abertamente sobre temas de educação. Não é obrigatório dizer mal do Governo, mas se tiverem que dizer mal, não se inibam... se, porventura conseguirem encontrar uma boa razão para dizer bem... também se arranja um cantinho para isso. Diremos o que nos vai na alma... ainda qua a alma nos doa... pode ser que assim... deixe de nos doer. Para além disso, tentaremos mostrar o que por aí se vai dizendo e escrevendo sobre educação. Não deixem de comentar...

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Localização: Torres Vedras, Portugal

sexta-feira, outubro 20, 2006

Um exercício de Lucidez

São cada vez mais os que se insurgem contra esta democracia podre que nos querem vender.
"Se isto é democracia... que venha a ditadura!"
Frases como esta ouvem-se cada vez com maior frequência e isto é perigoso!
Convém que os nossos (des)governantes comecem a olhar com mais atenção para isto. Não é só na Hungria que há levantamentos populares...
Não tarda nada, começamos a pensar que para correr com esta "cambada" temos que entrar em desobediência civil.
Lusitano
O estado dos escombros
António Manuel Ribeiro(Músico (UHF) e Autor)

Já aqui escrevi, e por isso repito-me, que, no enquadramento económico e político que conduziu à queda do último Governo PSD, onde Santana teve assento fugaz, Portugal precisava de um Governo de salvação nacional onde entrassem os melhores, os mais sérios administradores, os mais capazes. De leste a oeste, no espectro político, ouviu-se o habitual "nem pensar". Que o sistema democrático encontra sempre soluções, como se tem visto; que a alternância está aí para resolver os pecados cometidos, como se sabe com óptimos resultados; e mais blá-blá-blá costumeiro.
Quando dei o meu parecer, pequenino e humilde, fi-lo na convicção que o sistema partidário português está esgotado na sua tão querida alternância, e, trinta e dois anos depois de Abril, consumimos o pior da democracia dos partidos: a sua voracidade para as benesses da teta do Estado; a alternância de clientelas partidárias a servirem-se à vez, como se isso fosse um acto natural da democracia; os escombros que estão por aí, apesar dos tapumes com anúncios gigantes.

Esta maioria do PS, quando as luzes se apagarem e a porta se fechar para os novos senhores eleitos, terá deixado uma parte do país irreconhecível e os estragos farão, em muitos casos irremediavelmente, parte da paisagem a que nos vamos habituando.

Com um discurso em repetição – Sócrates tem umas quantas frases que repete até ao enjoo em cada improviso sobre tudo e sobre nada –, o PM que nos coube acha-se predestinado a um desígnio brilhante: “porque é bom para Portugal e é bom para os portugueses (…) e se é bom para os portugueses, é bom para Portugal”, é sua esta máxima oratória repetida até à exaustão, com os olhos em vácuo. E di-lo com a maior calma do mundo, aparente, porque o senhor é irritadiço, a propósito da OTA, do fim das compensações em medicamentos de que os nossos mais velhos carecem para a sua sobrevivência, ou da avaliação dos professores pelos encarregados de educação e por aí fora.

Teve o perverso mérito político de conseguir pôr todo o país de acordo com o fim de algumas regalias da função pública; esqueceu-se que, num país com 700.000 funcionários públicos, há sempre um em cada família. Por isso, a contra onda há-de chegar.

Claro que eu, como todos os que precisam de entrar numa repartição pública, já senti a ineficácia da máquina, a desmotivação, a perca de tempo sem qualquer razão que não seja o pequeno e miserável exercício do poder que o salazarismo nos deixou. Mas, serão eles a primeira causa do “monstro” financeiro a que isto chegou? Quanto custa ao Orçamento do Estado (OE) o disparo nos custos finais de cada obra pública – imaginem os casos próximos da OTA e do TGV?

Dou-vos um exemplo: o sorvedouro dos dinheiros públicos, e a incompetência de sucessivos governos, com as obras e o seu repetido falhanço no túnel do metro do Terreiro do Paço, daria para sustentar quantas pensões de sobrevivência? Podemos confiar numa classe política irresponsável que se acha julgada e condenada quanto baste sempre que o voto muda de cor numa próxima eleição?

Custa-me entender que os que trabalham, ou que têm um emprego, sejam a infantaria desta recuperação económica. Mas são por certo os que estão mais à mão.

Os impostos, sobretudo os disfarçados, aumentam; os benefícios diminuem; os direitos adquiridos deixaram de o ser; o famoso estado social europeu tem musgo; o liberalismo instalou-se, com os lucros monstruosos dos bancos em tempo de crise à cabeça – e não é pelo apoio e risco à criação de novas empresas.

Fazendo-se a recuperação económica por uma política de restrições e míngua (algumas necessárias, é certo), esquecemos que o motor da economia de uma nação está no investimento, na produção de bens e na sua exportação. Numa altura em que tanto e tão estupidamente se fala em investimento estrangeiro, numa altura em que as fábricas internacionais fecham inexoravelmente as portas por aqui, depois de esgotadas as benesses que todos os governos ofereceram a troco de uma inauguração, ainda não percebi porque não se pede aos portugueses com dinheiro que invistam no seu próprio país e abdiquem dos benefícios disponíveis como parte do sacrifício que a todos é pedido.

Depois destas reformas, senhor PM, o país vai ficar mais pobre, os marginalizados mais aquém de nós, a nação vai acordar e adormecer menos solidária, mais pequena, mais invejosa, mais revoltada, e estes são os índices psicológicos que encolhem uma nação e determinam a pequenez do seu futuro.

O senhor quer resultados a qualquer preço, encetou as chamadas reformas a qualquer preço, diz que corta a eito, mas só bate nos mais fracos. Quando, como este ano, a função pública vai receber de aumento (chamam-lhe pomposamente ajuste) uma diminuição efectiva no salário, as prestações que os bancos cobram pela alegre (ver publicidade na TV) poupança-habitação sobem sem comoções.

Um velho, na farmácia, pergunta a nova soma dos velhos medicamentos que lhe afinam o coração, e deixa alguns para trás. O senhor ignora, na solidez granítica de São Bento. À porta dos hospitais cobram-se taxas por internamento, taxas por cirurgia, enquanto algumas urgências fecham e o tempo de estrada vai matar continuamente, no interior das ambulâncias, os menos afortunados, valha isto o que valer.

O país não é Lisboa, apesar da voracidade da TV o determinar. A imensa franja de mirones que gostava de ter uma casa a que pudesse chamar casa, ouve a fantástica Sara Tavares dizer que a “a minha casa é a minha vida”. E não é. Ou não devia ser. Uma casa são quatro paredes e a vida está cá fora.

Cem mil manifestantes invadiram Lisboa a semana passada e o senhor disse, incomodado e rígido, que as reformas iriam continuar e não seria sensível à pressão dos lobbies. Ou o senhor não sabe o que é um lobby (há muito que os sindicatos perderam essa força) ou há sinistras centrais de desestabilização neste país, agrupando os mais desfavorecidos. Os mesmos que lhe ofereceram o seu voto e confiaram nos 150 mil postos de trabalho que o senhor prometeu em debate eleitoral na TV, o dedo em riste contra Santana Lopes.

Joe Berardo aparece à beira de um precipício, vestido com o único fato que sabe usar, sentado numa poltrona a anunciar os benefícios de um cartão de crédito. O sorriso, bem, não o vou caracterizar. Quem é rico já tem o cartão, mas não é verde; quem gostaria de o ter sabe o que vai pagar e foge do precipício.

Em Agosto passado os jornais anunciavam que os juros das contas ordenado que os bancos tanto proclamam, podem chegar aos 21 por cento, o mesmo valor do IVA em cada CD de música portuguesa, um objecto de luxo, como se sabe. É a surdez de uma política sem cultura. E sem cultura um povo não se inscreve na história.

Posto isto, que é pouco no muito que todos os dias os portugueses anónimos sofrem e calam, porque acham que a vida é um castigo e será sempre um sacrifício, as greves andam por aí. Acho curioso que a insubordinação pura e dura não tenha surgido, a democracia do povo nas ruas enfrentando o poder instituído. Olho para a história recente e lembro-me da Argentina, da Venezuela e da França, aqui ao lado. Mas os portugueses são envergonhados, por enquanto.

Já fomos um país de Afonso Henriques e de Aljubarrota. Hoje, dessa coragem e atitude, fica-nos o artesanato feito na China e os novos jogos da playstation.
In Setúbal na Rede -19-10-2006 11:54 António Manuel Ribeiro

quarta-feira, outubro 18, 2006

Ao que isto chegou!!!

A "Sinistra" e o Governo devem ficar muito satisfeitos com este tipo de situações. Só que, eles que apresentam sempre exemplos do estrangeiro, deviam olhar para o exemplo inglês. Daqui a alguns anos, hão-de querer professores e não os haverá.
Este anúncio vem publicado na Central de Emprego on Line, como pode ser confirmado através do link http://www.central-emprego.com na secção Outros.
Lusitano

Curriculum vitae / Pedido de Emprego
QUALQUER PROFISSÃO, URGENTE

Informações Pessoais
Nome:
Francisco Lopes
Data de Nascimento:
02/02/1954
Telefone:
960013271
Fax:
Email:
flopes@gmail.com

Informações Curriculares
Nível de Estudos:
licenciatura
Formação:
Outros
Línguas Faladas:
Português, Espanhol, Francês e Inglês
Informações Complementares:
Professor licenciado, do Quadro de Nomeação Definitiva, com mais de 25 anos de dedicação exclusiva à Escola e aos alunos dos 2º e 3º Ciclos do Ensino Básico e do Ensino Secundário, que desde sempre abraçou a sua Profissão por vocação, tendo dinamizado ao longo da sua carreira inúmeros projectos que receberam o apoio e o reconhecimento de milhares de alunos e encarregados de educação, em horários extra-lectivos que nunca contabilizou, procura urgentemente uma ocupação noutro ramo de actividade, preferencialmente desligada do Ensino, já que não possui estrutura psicológica que lhe permita continuar a assistir à total destruição dos conceitos de Escola e de Ensino levada a cabo por sucessivas políticas governamentais exclusivamente caracterizadas pela hipocrisia e pela prostituição da (des)informação passada à opinião pública.
Dados Suplementares
Disponibilidade:
Tempo Inteiro
Salário Pretendido:
conforme função a desempenhar

terça-feira, setembro 05, 2006

Escolas fecham... O último adeus ao ensino nas aldeias


"Morte”, “desertificação”, “sem futuro”, são palavras de autarcas, alunos e ex-alunos das escolas do 1.º Ciclo que vão encerrar em todo o País. As populações de muitas aldeias não concordam com a medida do Governo, outras estão resignadas, mas todas concordam que é mais um passo para o fim dos meios rurais. Sem crianças e ensino, as aldeias acabarão por extinguir-se pela força do chamado ‘progresso’.

As populações afectadas estão tristes, mas resignadas, e consideram que as escolas – um símbolo do desenvolvimento do povo – vão transformar--se na “casa mortuária” de muitas aldeias. “É mais uma acha para a fogueira da desertificação que ameaça o Interior do País”, diz Albano Almeida, presidente da Junta de Casal Vasco, em Fornos de Algodres (Guarda). A freguesia tem 230 habitantes e oito alunos que frequentam o Ensino Básico e foram transferidos para a sede do concelho.Além da tristeza, as populações não compreendem as contradições: a escola do Ensino Básico de Casal Vasco é um caso “paradigmático”, porque há quatro anos “foi alvo de profundas obras de recuperação”, onde o Estado investiu 200 mil euros. As suas condições fazem inveja a muitas outras: está rodeada de um espaço verde bem tratado, tem um equipamento moderno e um vasto recreio a partir de agora à mercê do mato. “Esta escola era o orgulho da nossa aldeia, mas agora tornou-se um pesadelo”, desabafa Albano Almeida, de 72 anos, desiludido com a medida do Ministério da Educação. O autarca é ainda mais dramático: “Vou ficar conhecido como o coveiro desta escola, mas nós não fomos tidos nem achados nesta situação. As localidades que vêem morrer o local onde os seus filhos aprenderam a ler e a escrever ficam mais pobres. Muitas não vão conseguir segurar ninguém, vão morrer aos poucos. As escolas transformaram-se nas casas mortuárias de muitas comunidades.”Há uma enorme revolta silenciosa nos habitantes de centenas de aldeias que deixam de ouvir os gritos de alegria das crianças no recreio, ou de ver as suas representações teatrais nos dias de festa. “É bem pior do que o fecho de uma fábrica”, opina António Melo, “chocado” quando soube que a primária de Casal Vasco “estava na lista negra”. “Trata-se de uma atitude do Governo que transmite ao povo um sentimento de descrença no futuro, de derrota. A escola é o símbolo de cada aldeia, é aqui que começamos tudo.” O professor aposentado Vasco Homem, que ensinou muitos da aldeia, sente a escola como um grande baluarte da povoação. “Não há ninguém que passe aqui em frente e que não se lembre dos tempos de escola. Estas memórias também vão morrer.”As crianças, menos saudosistas, são quem vai sentir no corpo, no primeiro dia de aulas, as mudanças: vão levantar-se mais cedo e esperar pelo autocarro da Câmara de Fornos de Algodres que as levará até à sede do município – Casal Vasco fica a seis quilómetros – cheio com miúdos de várias aldeias. São dezenas de quilómetros de cansaço por semana. Os colegas Daniel, Luís, Francisco, Pedro, Ana e Eduarda, com idades entre 7 e 10 anos – seis dos oito alunos da freguesia – estão tristes com o fecho da escola. “Os meus pais estudaram aqui e eu também queria ficar”, diz Luís; “Não esperava sair daqui tão cedo”, adianta, tímida, Eduarda; “Os meus pais ficaram tristes porque vou passar pouco tempo em casa”, conclui Francisco.Ainda na Beira Alta, em Colo do Pito, Castro Daire (Viseu) o sentimento de perda é semelhante. As oito dezenas de habitantes – na maioria pessoas idosas –, recusam-se a acreditar que a escola vai encerrar, mas vai mesmo: as dez crianças passam a estudar noutra aldeia.O edifício n.º 58 da terra parece, à primeira vista, um pouco degradado. Mas, por trás das velhinhas persianas corridas, nota-se que já está despida de todo o equipamento. Na janela, uma pequena Bandeira Nacional – consumida pelo Sol – é o único objecto que se distingue no granito do edifício. As silvas encarregaram-se de ocupar o recreio.David Silva, de 64 anos, e Honorato Monteiro, de 68, não se conformam. “Não há direito de fecharem a escola.” De chapéu de palha na cabeça e o humor de pessoas “cansadas”, mas “alegres”, os dois recordaram os tempos de meninos vividos na escola. “Sabe – diz o primeiro – eu nunca fui grande coisa aqui dentro, mas matei cá a fome muita vez e livrei-me de trabalhos forçados.” “O povo ficou muito triste ao saber que as crianças vão estudar para outra terra. Aqui só vão ficar os velhos, vai ser uma aldeia fantasma”, adianta David Silva. Mais revoltada e “sem papas na língua” está Maria Teresa Pereira. Enquanto lava a roupa à mão no tanque comum, diz: “Sinceramente, não percebo o que este Governo está a fazer. Fecha escolas, maternidades, qualquer dia fecha-nos em casa.”O Sindicato dos Professores da Região Centro também condena a “forma” utilizada pelo Ministério da Educação para escolher as escolas a fechar. “As pessoas de Lisboa não conhecem as realidades locais, não sabem que acessibilidades é que as aldeia têm; que rede de transportes, qual a sua localização e o seu meio social. No início do ano lectivo vamos assistir a muitas situações caricatas”, diz o sindicalista Francisco Almeida.O fecho das escolas “vai ser o princípio do fim de muitas comunidades rurais”. “Vamos correr o risco de, daqui a uns anos, visitarmos a Serra do Montemuro e encontrar uma placa com a seguinte mensagem: ‘Aqui existiram várias aldeias até 2006, altura em que a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, ordenou o fecho das escolas’. O turista inverte o sentido de marcha e vai para onde as pessoas se atropelam umas às outras”, ironiza.“Os velhotes vão morrendo, os novos vão desaparecendo daqui e fica o lugar deserto”, lamenta Jacinto Henriques, de 42 anos, que mora frente à escola onde tirou a 4.ª classe, em Vila Nova, um dos seis estabelecimentos de ensino das Caldas da Rainha que vão fechar por falta de alunos. As ervas já se amontoam nas escadinhas da entrada e no pátio, as teias de aranha povoam o edifício, o baloiço está ferrugento e há ainda uma pereira com os frutos demasiado maduros. “Os cachopos davam alegria ao espaço, agora só ficam lá os ratos”, diz o agricultor.As marcas da desertificação da aldeia, a 10 quilómetros da sede de concelho e com cem habitantes, notam-se bem. “Dantes havia duas mercearias e um café, agora só há a colectividade e fechou a escola”, quantifica Jacinto Henriques. “No meu tempo havia dez alunos em cada classe, mas a maior parte da população foi trabalhar para a cidade e ficou lá a viver, passando a haver cada vez menos crianças na terra. Aqui no lugar só tenho meia dúzia de colegas que andaram comigo na escola.”Este ano, o estabelecimento de ensino – construído em 1961 – ia ter nove alunos, mas a reorganização da rede escolar do 1.º ciclo do Ensino Básico ditou o seu fecho e a transferência das crianças para outras escolas. “É chato, demora mais tempo com os transportes, as crianças já não almoçam em casa e há mais despesas”, explica Jacinto Henriques. A sua filha Cristina, de 12 anos, estudou ali até há pouco tempo e já estava habituada a ter poucos colegas. “Éramos três raparigas e um rapaz, mas tínhamos um computador e contactávamos com os alunos de outras escolas”. O estabelecimento de ensino fazia parte de um projecto de dinamização de escolas isoladas nas freguesias rurais do concelho. O encerramento mereceu o parecer desfavorável da Câmara Municipal. Mas “o Ministério da Educação teve a última palavra”, esclarece o vereador da Educação, Tinta Ferreira. O edifício foi cedido à Associação de Caçadores da Freguesia de Alvorninha, mas a sua utilização é ocasional. Em Sancheira Grande, Óbidos, o ambiente de frustração é semelhante: “É uma tristeza encerrar a escola”, comenta, sentado num café, Francisco de Oliveira, um dos 200 habitantes da terra. Em Janeiro, os pais dos 14 alunos do 1.º ciclo foram confrontados com a decisão do Ministério da Educação, que invocou o insucesso escolar como razão para o fecho da escola. Um abaixo-assinado contra o encerramento defendia que a situação poderia ser resolvida com apoio educativo, mas a decisão governamental manteve-se. Os pais ainda disseram à Direcção Regional de Educação de Lisboa que iria ser encerrado “um local que o povo ama como o símbolo e orgulho da sua terra”, mas de nada serviu.A Câmara Municipal não se opôs ao fecho porque considera que os alunos terão melhores condições na escola de acolhimento, a três quilómetros de distância, em A-dos-Negros. “Foram feitas obras de ampliação, com a construção de uma sala de actividades, refeitório e ATL. A autarquia garante o transporte dos alunos”, refere a edilidade.Mesmo assim, no arranque do ano lectivo, os 18 alunos da Sancheira Grande ainda poderão passar por uma solução provisória, se as obras em A-dos-Negros não estiverem concluídas, como receia a população, enquanto lamenta que seja desactivada uma escola situada no ponto mais alto da aldeia, em local soalheiro e com equipamentos de fazer inveja – um campo relvado sintético, ecopontos, jardim e vedação e, no interior, computador com ligação à internet e uma minibiblioteca.Mais a Norte, Rafael Alemão, de 9 anos, deixa este ano a escola da Fontela, na Figueira da Foz. É com apreensão que vê a mudança: “Ainda não sei como vou para a escola e se vou gostar. Aqui já conheço tudo, tenho os meus amigos, e é perto de casa. Se pudesse não ia para a outra, mas os políticos de Lisboa obrigam-me!”
MUDANÇA PAGA PELO ESTADO
As câmaras municipais não vão gastar dinheiro com os alunos das escolas com menos de 20 estudantes e com taxas de aproveitamento inferiores à média nacional, que vão encerrar no âmbito do processo de reorganização da rede escolar do 1.º Ciclo do Ensino Básico.A Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) assinou um protocolo com o Governo em que ficaram estabelecidas as condições em que as escolas deviam encerrar. O ME assumiu o pagamento de todas as despesas decorrentes da mudança dos alunos.António José Ganhão, vice-presidente da ANMP e responsável pela área da Educação, garantiu que “o Ministério fez um levantamento de 1500 escolas que deviam fechar”. Um número que não vai corresponder ao total de encerramentos, uma vez que “vários municípios não concordaram com o fecho das suas escolas.”O protocolo estabelece que a mudança de escola só pode acontecer caso o novo estabelecimento de ensino proporcione melhores condições aos alunos. Caso contrário, o ME fica obrigado a realizar as obras necessárias para que tal aconteça ou a nomear um professor para a escola de origem, ficando sem efeito o encerramento.A gratuitidade da alimentação e do transporte também ficou estabelecida no protocolo. “Os alunos têm de ter acesso ao refeitório sem pagarem, de forma a não prejudicarem as famílias, e o aumento dos custos não previstos com o transporte escolar será pago pela respectiva Direcção Regional de Educação”, acrescentou António José Ganhão.Por exemplo, na Figueira da Foz, vão encerrar sete escolas por terem poucos alunos – menos de dez. A vereadora do pelouro da Educação do município garante que “nenhum aluno será transferido para uma distância superior a três quilómetros e a autarquia assegura o transporte” às 35 crianças que mudam de escola. A autarca aplaude, “em termos genéricos”, a medida do Governo. Mas não na forma prática como estão a decorrer. A ministra da Educação não tem noção das dificuldades diárias encontradas no terreno”, sublinha Teresa Machado.
MAPA AINDA ESTÁ POR DEFINIR
O mapa com a localização das escolas do 1.º ciclo do Ensino Básico com menos de 20 alunos, que encerram neste ano lectivo, está ainda por definir. O Ministério da Educação não avança com o nome nem sítio dos estabelecimentos de ensino afectados enquanto as escolas que fazem o acolhimento das crianças não estiverem totalmente concluídas.Quando a ministra Maria de Lurdes Rodrigues confirmou a intenção de fechar as escolas, o CM apurou junto da Direcção Regional de Educação de Lisboa que na região está previsto fecharem 96 estabelecimentos e 65 na zona do Alentejo. Na mesma altura, o Sindicato de Professores da Região Centro divulgou um estudo que apontava para o fecho de 544 escolas naquela área. No Norte, está previsto que fechem cerca de 900 escolas. Em 2005, a reorganização das escolas do País levou ao encerramento de 221 estabelecimentos de ensino e à criação de 60 novas unidades. Um dos concelhos que já divulgaram a respectiva Carta Educativa foi o de Vila Real.Segundo aquele documento, será possível reduzir os custos médios anuais de 951 mil euros, com a manutenção da rede de escolas propriedade do município, para 209 mil euros por ano em 2016, reduzindo o custo médio anual por aluno de 474 euros actualmente para 123 euros, com melhoria das condições pedagógicas, de segurança e de conforto de estudantes e professores. A Carta Educativa prevê a constituição de quatro territórios educativos e a construção de seis novas escolas do 1.º ciclo do Ensino Básico e jardins de infância (EB1/JI). A escola Monsenhor Jerónimo do Amaral deverá ser tranformada em Escola Básica Integrada, tal como a escola Diogo Cão. Está ainda prevista a construção de uma nova escola do segundo e terceiro ciclos do Ensino Básico e do Ensino Secundário (EB2,3/S), no caso, para servir a zona oeste da periferia da cidade. O anúncio do fecho de escolas básicas foi uma das questões mais polémicas do ano lectivo passado. A proximidade da abertura das aulas faz prever que venha a ser outra dor de cabeça para a ministra Maria de Lurdes Rodrigues.
ALGUNS NÚMEROS
554 Número de escolas do primeiro ciclo do Ensino Básico (EB 1) com menos de cinco alunos em todo o País.
1228 Número de escolas do 1.º ciclo do Ensino Básico com menos de dez alunos, também a nível nacional.
1267 Antigas escolas primárias – hoje do 1.º ciclo do Ensino Básico (EB 1) – têm entre dez e vinte alunos.
239 Número de escolas EB 1 que podem fechar as portas só no distrito de Bragança.
179 Escolas básicas do 1.º ciclo do distrito da Guarda atingidas pelo encerramento.
153 Estabelecimentos de Ensino Básico do 1.º ciclo previstas para fechar no distrito de Viseu.
127 Escolas do primeiro ciclo do Ensino Básico que se prevê sejam encerradas no distrito de Braga.
87% Percentagem de escolas básicas do primeiro ciclo existentes no concelho de Foz Côa que se espera que venham a fechar.
13 Número de escolas do 1.º ciclo fechadas nos últimos quatro anos no concelho de Lisboa por falta de alunos e razões de segurança.,
221 Número de estabelecimentos de ensino encerrados em 2005 em todo o País no âmbito da reorganização escolar.60 Novas escolas criadas no úl-timo ano lectivo para acolher alunos das encerradas e responder a novas necessidades.
In Correio da Manhã - Luís Oliveira / Francisco Gomes / Jorge Lemos / J.H.

A hora de transformar medidas em resultados...

E as férias acabaram!...
Pois é!
Passaram tão depressa!...
Eis-nos regressados e com as baterias carregadas para enfrentar o desafio de um novo ano lectivo. Um ano lectivo que, tal como o anterior, promete não ser fácil.
Mas, também a "Sinistra" não vai ter vida fácil.
Esperemos que tudo comece com normalidade, o que, pelas notícias que hoje correm, não irá seguramente acontecer, já que só depois do ínício das aulas se saberá quaia as escolas que encerram.
Estranho!!! não é?
Lusitano

A hora de transformar medidas em resultados

O combate ao insucesso volta a ser a prioridade deste ano lectivo. Um objectivo com várias frentes, nem sempre pacíficas.
O fecho de 1500 escolas primárias, com poucos alunos e baixos níveis de sucesso escolar, será inevitavelmente um marco que ficará na história de 2006/2007. Mas no mesmo 1.º ciclo há novidades animadoras, como o prolongamento dos horários até às oito horas diárias, com pelo menos três de actividades extracurriculares, e a continuidade da aposta na formação de dez mil professores de Matemática e Português.
A aposta em soluções alternativas, depois de uma década em que os indicadores do sistema educativo pouco melhoraram, está presente em praticamente todas as frentes.
No secundário, abrem 450 novos cursos profissionais, que pretendem criar saídas para milhares de estudantes que não se revêem - nem conseguem triunfar - num modelo quase exclusivamente concebido a pensar no ingresso no ensino superior.
As escolas são convidadas a assumir uma maior responsabilidade pelos seus sucessos e insucessos. Este ano, 26 agrupamentos seleccionados pelas suas "boas práticas" vão servir de protótipo para um novo modelo de autonomia de gestão, em que uma maior liberdade para administrarem os seus meios e estratégias é associada à obrigação de apresentar resultados. Fora deste grupo de "eleitos", há também regras mais duras para cumprir.
Os professores são confrontados com uma revisão das carreiras como não há memória em 20 anos de estatuto profissional. O objectivo, diz o Governo, é valorizar quem mais se empenha, mas algumas das regras propostas contrariam direitos pelos quais a classe se bateu durante anos, pelo que se prevê um duelo difícil.
Mas a actual equipa do Ministério da Educação também será posta à prova. Depois de cerca de ano e meio de "estado de graça" junto da opinião pública, este será o ano lectivo em que, além de medidas, lhe serão exigidos resultados concretos.
Aulas
Começam entre 11 e 15 de Setembro para mais de 1,6 milhões de alunos, do pré-escolar ao secundário. No básico e no secundário acabam entre 8 e 22 de Junho. No pré-escolar podem estender-se até 13 de Julho. Ao longo do ano lectivo há três períodos de interrupções das actividades lectivas. O primeiro, as chamadas férias do Natal, decorre entre 18 de Dezembro e 2 de Janeiro. Seguem-se as férias do Carnaval (19/2 a 21/2) e as férias da Páscoa (26/3 a 9/4).
Básico
Corresponde ao ensino obrigatório, que vai do 1.º ao 9.º ano. Abrange a esmagadora maioria dos alunos, mais de um milhão. A taxa de retenção ou insucesso no ensino básico continua a atingir valores inaceitáveis, na ordem dos 11,5%, tendo mesmo regredido em 2005 devido ao impacto negativo dos exames do 9.º ano.
Currículos e actividades
A componente curricular (25 horas) do 1.º ciclo passa a ser dedicada em exclusivo às actividades lectivas obrigatórias, como o Português e a Matemática. Outras áreas, como a natação, desporto, língua estrangeira e educação musical, são integradas na categoria de Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC) e passam a funcionar sempre após esse período de 25 horas. As escolas têm de assegurar, pelo menos, três horas diárias de AEC, o que resulta num prolongamento para oito horas diárias. O apoio ao estudo (1.º ao 4.º ano) e o Inglês (3.º e 4.º anos) são AEC obrigatórias. Todas as actividades, excepto o apoio ao estudo que cabe à escola, são comparticipadas pelo Ministério da Educação e podem ser organizadas em parceria com entidades externas.
Desporto Escolar
É uma das áreas que o Ministério da Educação mais pretende dinamizar este ano. Esta aposta implica uma melhor organização do Desporto Escolar, com um coordenador específico da área em cada agrupamento.
Exames
Os exames nacionais do 9.º ano voltam a concentrar atenções. Depois do impacto negativo das provas de 2005 nas taxas de passagem de ano dos alunos (19,9% de chumbos) e do reconhecimento que os resultados de 2006 ainda serão piores, o Ministério da Educação espera que 2006/2007 seja o ano da "viragem" ao nível das classificações. No 12.º ano, o panorama poderá ser mais desanuviado, já que não se deverão colocar os problemas que surgiram este ano devido à coexistência de dois programas do secundário. Por outro lado, há uma aposta forte nas provas de aferição. Estes testes, que pretendem avaliar o sistema e não contam para a nota dos alunos, eram até agora realizados apenas por pequenas amostras de estudantes dos 4.º e 6.º anos. A partir deste ano lectivo, passam a ser universais. Na prática isso significa que serão mais de 500 mil os alunos a prestar provas.
Formação contínua
O ministério considera que os maus resultados também se combatem investindo em mais formação para os professores. No 1.º ciclo, a aposta é forte: 7000 professores vão receber formação contínua em Matemática, 3000 em Português. Um número não divulgado participa num projecto experimental na área das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC).
Gestão escolar
Os problemas das escolas resolvem-se melhor na raiz do que através de medidas globais do ministério. Esta é a convicção na origem da aposta num sistema que valorize a autonomia de gestão e a auto-avaliação das escolas. Este ano, 26 agrupamentos e escolas não agrupadas foram escolhidos pelas suas "boas práticas" para participarem num projecto-piloto que pretende dar aos estabelecimentos de ensino maior independência na gestão de recursos e estratégias educativas, acompanhada de uma maior responsabilidade pelos resultados.
Horário de trabalho
A aposta numa ocupação "plena" dos tempos escolares não se resume ao 1.º ciclo. Escolas com menos horas semanais de tempos lectivos (aulas), terão de compensar através da componente não lectiva (é obrigatório dedicar-lhe pelo menos uma hora ). Na mesma lógica, professores com horários reduzidos ou incapacitados para determinadas actividades serão chamados a desempenhar outras funções, como corrigir testes, dar apoio à preparação de aulas ou participar no acompanhamento de planos de recuperação dos alunos. Vários cargos permitem reduzir a componente lectiva sem esta compensação: entre eles estão a direcção de turma, o posto de delegado à profissionalização, o coordenador de áreas TIC ou o professor responsável por grupo/equipa do Desporto Escolar.
Inglês
Foi uma das primeiras grandes apostas do ministério para o 1.º ciclo. Em 2005/2006, mais de 190 mil alunos dos 3.º e 4.º anos tiveram acesso a este programa, que beneficiou de um financiamento do ministério na ordem dos 20 milhões de euros. Setúbal foi o único concelho do País que não aderiu. A partir deste ano lectivo é uma actividade extracurricular obrigatória em todas as escolas primárias.
Júri nacional de exames
É o órgão responsável por todo processo de realização, correcção e classificação, reapreciação e reclamação das provas dos exames nacionais. Cabe-lhe também a elaboração de uma análise estatística dos resultados das provas. A a concepção das provas é da responsabilidade de outro serviço, o Gabinete de Avaliação Educacional (Gave) do ministério. No último ano lectivo, o Júri ordenou a rectificação de uma pergunta mal formulada pelos técnicos do Gave, no exame de Português do 9.º ano.
Leitura
O Plano Nacional de Leitura, que arranca este ano lectivo, é uma iniciativa conjunta de três ministérios: Educação, Cultura e Assuntos Parlamentares. Pretende criar hábitos e competências de leitura e escrita, sobretudo entre os mais novos. Numa primeira fase centra-se no pré-escolar e no 1.º ciclo, mas é um programa que visa abranger toda a rede. Implica alguns investimentos como o reforço das bibliotecas escolares, a selecção de professores para o assegurar do funcionamento destes espaços durante um determinado número de horas semanais e as actividades de promoção do plano.
Matemática
Os resultados desastrosos implicam medidas em todos os graus de ensino. Para além da formação contínua de 7000 professores desta disciplina no 1.º ciclo, os 2.º e 3.º ciclos serão este ano alvo de um Plano de Acção para a Matemática. Os conselhos executivos de cada agrupamento, em conjunto com os conselhos pedagógicos e os grupos de Matemática, terão de elaborar um projecto para as suas escolas. Desse projecto deve constar um diagnóstico da situação de cada estabelecimento (incluindo classificações internas e notas obtidas pelos alunos nos exames nacionais do 9.º ano), um conjunto de metas a atingir e as estratégias necessárias. Desta análise pode resultar a necessidade do reforço dos meios humanos e dos recursos didácticos para a disciplina. O ministério contratualiza com os agrupamentos o conjunto de apoios a conceder.
Necessidades especiais
As escolas já tinham professores com preparação para acompanhar alunos com Necessidades Educativas Especiais, mas pela primeira vez foi criado um grupo específico para estes profissionais. Nos concursos de colocação de professores para este ano lectivo foram disponibilizados 2155 lugares de quadros de escola para estes professores, um número manifestamente insuficiente mas que o Ministério da Educação promete compensar com o recurso à contratação, em função das carências detectadas. O grupo de Educação Especial está dividido em três subgrupos, relacionados com o tipo de deficiência dos estudantes. Os professores integrados neste grupo deixam de se integrar na área dos Apoios Educativos, que passa a ser assegurada por outros docentes que vão beneficiar de créditos horários.
Oportunidades de formação
A iniciativa Novas Oportunidades, que tem como objectivo fazer do ensino secundário o referencial mínimo da qualificação dos portugueses, prossegue nas suas duas vertentes: formação e reconhecimento de competências nos adultos, através de uma rede de centros específicos para o efeito; e oferta de alternativas no secundário, que resultem na atribuição de um título profissional no final do 12.º ano. Tendo em vista este último objectivo, serão abertos este ano lectivo mais de 450 novos cursos profissionais, um aumento superior a 500%, face aos 72 cursos que existiam em 2005/2006. O objectivo do ministério é encaminhar 50% dos jovens para estas vias, que constituem uma alternativa aos currículos que preparam os estudantes para o ingresso no superior.
Portas fechadas
Cerca de 1500 escolas do 1.º ciclo deverão fechar este ano. Os estabelecimentos são, em geral, espaços com menos de 20 alunos ou resultados abaixo das médias nacionais. Escolas do "insucesso", segundo o rótulo adoptado pelo Governo. Os alunos que frequentavam estes espaços serão encaminhados para 800 "escolas de acolhimento", muitas delas alvo de obras. A transição implica investimentos ao nível do transporte dos alunos, já que alguns terão de fazer viagens de várias dezenas de quilómetros. O região mais atingida pelos encerramentos é o interior norte. Ainda não é conhecido o número exacto de escolas a fechar. Alguns fechos foram vetados pelas autarquias e, noutros casos, adiados porque as escolas de acolhimento não receberam as obras de requalificação.
Química
As médias de 6,9 valores a Química e 7,7 a Física, obtidas pelos alunos na 1.ª fase dos exames nacionais do secundário, levaram o ministério a tomar uma decisão inédita. A ministra Maria de Lurdes Rodrigues, invocando que os resultados foram excepcionais e se deviam ao facto de se tratar de programas ainda em fase experimental, decidiu dar aos alunos a possibilidade de repetirem as provas na 2.º fase sem prejuízo no ingresso no ensino superior. Na segunda fase, as notas de Química melhoraram substancialmente (8,8 valores), mas as de Física desceram (7,3). Ainda assim, evitou-se o chumbo de milhares de alunos. A ministra considerou que a sua decisão "valeu a pena", mas a Física - e sobretudo a Química - serão certamente áreas a acom panhar com maior cuidado este ano.
Revisão das carreiras
A proposta do Governo para a revisão do Estatuto da Carreira Docente (ECD) propõe a maior transformação em 20 anos de história deste diploma. A criação de dois níveis (professor e professor titular) e o modelo de progressão, baseado no desempenho, exigirão ainda muitas horas de reuniões entre o Governo e os sindicatos. Os docentes consideram que a proposta estabelece quotas máximas para o número de professores que podem chegar à categoria de titular, impedindo o acesso a esse nível por metade da classe. Contestam ainda alguns dos parâmetros definidos para a avaliação, como a possibilidade de os pais se poderem pronunciar sobre o desempenho dos professores dos seus filhos. Os sindicatos já programaram acções de luta para Setembro e Outubro e ponderam o recurso à greve.
Substituição
As aulas de substituição, introduzidas no último ano lectivo, têm sido outro ponto de discórdia entre sindicatos e Ministério da Educação. As organizações da classe entendem que quando um professor dá uma aula em substituição de um colega que faltou deve receber um pagamento adicional. O Governo entende que essas funções devem ser integradas no total de horas (lectivas e não lectivas) que os docentes têm de cumprir.
TIC
Depois de assegurar um computador ligado à Internet por cada dez alunos, o ministério quer dinamizar a área das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). Cada agrupamento passa a ter um coordenador TIC, que controla e fomenta o uso dos meios.
Ufff!
Alunos e encarregados de educação respiraram de alívio quando a ministra da Educação disse que os trabalhos de casa devem ser feitos na escola, durante os prolongamentos de horário. Maria de Lurdes Rodrigues entende que os TPC são um factor de desigualdade social, nomeadamente no acesso a material de apoio.
Vagas
Perto de metade dos 122 657 candidatos nos concursos de professores ficaram sem lugar. O Ministério da Educação tem actualmente 135 mil docentes nos quadros e 15 mil contratados. Os próximos concursos são em 2008/2009.
Xadrez
O jogo político que marca as negociações entre sindicatos e Governo determinará as acções de luta que os professores levarão a cabo durante o ano lectivo.
Zonas pedagógicas
Ao contrário do quadro de escola, um docente do quadro de zona pedagógica pode ser colocado em vários estabelecimentos de uma determinada área geográfica, o que quer dizer que pode ficar numa escola a centenas de quilómetros de casa.
In DN -04-09-2006

quinta-feira, julho 27, 2006

Boas férias!...

Este é outro dos grandes privilégios que os professores têm.
São obrigados a gozar férias entre 15 de Julho e 31 de Agosto. Às vezes, bem que me apetecia dar uma saltada a certos paraísos que estão em saldo na época baixa. Mas, isso nem pensar! Só mesmo quando tudo está mais caro e, ainda assim, superlotado.
Mas, eu também já sabia disso quando entrei para esta profissão de privilégios.
Agora só estou a sofrer as consequências dessa minha opção.
Estes professores são mesmo daaaaaaaa!!!
Se não já tinham tentado mudar isto.
E o que é que os impede?
Bom! Já não digo coisa com coisa. Estou mesmo a precisar de descanso.
E vou também interromper a actualização do Blog.
Prometo, no entanto, voltar em Setembro, com a pena bem afiada, porque avizinham-se tempos ainda mais conturbados.
Descansem, reflitam, divirtam-se...
Voltamos a ver-nos.
Até lá...
Boas Férias!!!
Lusitano

Exames chegam ao fim com "má nota" para Maria de Lurdes Rodrigues

Se ela fosse uma pessoa decente, quase que me apetecia ter pena dela!...
Coitada!
"- Eu não consigo falar.
- Eu não consigo falar."
Pois é!... É muito chato não nos deixarem falar quando queremos explicar-nos. Mas, afinal, não é isso que ela tem feito aos professores desde que chegou ao poleiro?
Mesmo quando a lei a obriga a ouvir os representantes dos professores, ela ignora-os e decide como bem entende. É a ditadura da maioria.
Razão tem o povo quando diz: "Quem com ferros mata... com ferros morre" ou, ainda, "Quem semeia ventos... colhe tempestades".
Pois a dita senhora já fez a sua sementeira, agora está a chegar a altura da colheita.
E, parafraseando, de novo, o nosso povo, ela "foi buscar lã e sujeita-se a ser tosquiada"...
Lusitano


Um mês, seis dias e perto de um milhão de enunciados depois, a fase de Exames Nacionais chegou ontem ao fim. Os resultados definitivos só serão conhecidos a 4 de Agosto, depois da divulgação das pautas da 2.ª fase. Mas a avaliação da forma como o Ministério da Educação (ME) conduziu o processo já foi feita - com nota negativa - por pais, associações científicas e sindicatos de professores e partidos políticos da oposição.No centro de toda a contestação - motivando mesmo a convocatória da ministra Maria de Lurdes Rodrigues para um debate de urgência na Assembleia da República - esteve a decisão, em cima da hora, de se adoptar um regime de excepção para as disciplinas de Química e Física do programa novo.Depois dos resultados desastrosos da 1.ª fase a estas disciplinas (médias de 6,9 e 7,7, respectivamente), a ministra entendeu que os maus resultados se deviam ao facto de se tratar de programas ainda em "fase experimental" de implementação. Por isso, decidiu que nestas disciplinas -"e apenas nestas" seria contrariado o princípio segundo o qual quem faz exames de melhoria de nota, na 2.ª fase, só pode concorrer ao ensino superior na fase de candidaturas correspondente.A medida foi duramente atacada, não apenas pela oposição e pelos sindicatos de professores, como por tradicionais apoiantes da ministra. A presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais, Maria José Viseu, considerou estar-se perante uma situação de "tratamento desigual" dos alunos. O deputado socialista António Vitorino, num programa da RTP, considerou: "Alguma coisa falhou. A ministra tem de dar uma explicação para tranquilizar as famílias". No Parlamento a governante recusou pedir desculpas, afirmando ter agido "para minimizar desigualdes". Mas os seus argumentos não convenceram os deputados. "A senhora ministra não tem dignidade intelectual para reconhecer os erros", acusou a deputada comunista Luísa Mesquita, numa acusação que marcou o tom de uma tarde agitada.Mais do que pelos resultados, neste mês de exames Maria de Lurdes Rodrigues foi criticada por nunca ter assumido falhas próprias ou de algum dos serviços do ME. Do Português do 9.º ano à Matemática e Química do 12.º ano, várias associações científicas de docentes apontaram falhas às provas, cuja elaboração está a cargo do Gabinete de Avaliação Educacional . Mas a ministra nunca abandonou o discurso de que "nada de grave" se passou nos exames."A senhora ministra faz mal em desvalorizar o que não lhe corre bem, porque assim não sabe onde melhorar", resumiu ao DN Mário Nogueira, da Fenprof. "Acho que estes exames resumiram o que foi a atitude do ministério: se se tratasse de alunos [a ministra e os seus secretários de Estado] teriam reprovado, qual deles com a pior nota." Entre os argumentos contrários a esta avaliação, Maria de Lurdes Rodrigues tem o facto de ter concluído, sem sobressaltos além dos assinalados, um processo de exames que envolveu mais de 200 mil alunos dos 9.º, 11.º e 12.º anos. Isto, num ano em que coincidiram dois programas do secundário, com provas diferentes às mesmas disciplinas.
Optimismo com a Física
O polémico exame de Física da 2.ª fase foi dos últimos realizados ontem. À saída das provas, tal como sucedera há dias com a Química, os alunos mostravam-se mais optimistas: " Este exame correu muito melhor, despachei-me muito mais cedo.", contou Tiago Rodrigues , 28 anos. "Correu muito melhor do que o outro", concordou Pedro Capitão, 17 anos. "Agora tudo depende desta nota, pois é a unica disciplina que falta para terminar o secundário", explicou. "Achei esta prova muito mais acessível", considerou o aluno que, na primeira fase, apenas conseguiu obter cinco valores.
O DN tentou, sem sucesso, obter um depoimento do Ministério da Educação.
Pedro Sousa Tavares com Eduardo Peres
in DN 26/07/06

quarta-feira, julho 26, 2006

O logro

A coisa tá ficando preta!...
Só cai no logro que quer. Mas o povo começa a abrir os olhos.
O povo e o Ministro das Finanças. Não sei como é que o Sócrates vai resolver isto.
Eles os dois não se entendem quanto à contratação de professores pelas escolas...O Primeiro não diz nada.
Um dia destes não há mais margem de manobra e a "Sinistra" cai do pedestal.Vai-se partir a loiça toda!!! Mas não contem comigo para apanhar um caco que seja.
Até me ria, se isto não me desse vontade de chorar!...
Lusitano
A diferença não está nas actuais políticas educativas (que já existiam); a diferença está nas formas de comunicação dessas mudanças e no exercício de poder.
O que se tem tentado fazer passar permanentemente é “as más práticas” no sentido de criar um clima favorável à ruptura e no puro exercício de uma liderança coerciva.
Tem sido sistematicamente criado um clima de desconfiança face à escola, uma desresponsabilização do ministério, que não tem rosto e está lá longe, e uma diabolização dos professores que estão bem ali à mão.
Foi criada uma “agenda “ para a comunicação social em que a Ministra, com uma imagem de serenidade e seriedade, transmite o exercício de poder como cada um “acha que deve ser” (desde que não seja na nossa escola com o nosso filho) porque, parece que, também coloca na mão de cada família parte desse poder.
Está a ser efectuado, através da comunicação social, um exercício, não de persuasão, mas de pura manipulação.
A opção não foi a de instaurar um clima democrático, de negociação e de confiança com os agentes; o caminho foi o da manipulação da opinião pública, de incorporação negativa com vista a “arrumar!” os professores das negociações e da formulação das políticas e anular o efeito da acção dos sindicatos.
Mas manipular para quê, então as medidas não são boas por si?
É que o objectivo é outro, e aqui somos chegados ao para quê?
O que se pretende de facto é criar o clima para a alteração ao ECD que mais não é do que um documento de regulação da carreira. Os princípios da proposta da ECD não são questionáveis, assentam nos estudos das ciências da educação sobre a profissão, sobre avaliação, etc. A questão é que a proposta de ECD traduz-se em mecanismo de controlo de acesso e promoção na carreira. Tudo o que se refere ao mérito cai, caindo com isso a retórica do “simplex”, da qualificação e do mérito, tão a gosto deste governo.
Os mestrados que agora correspondem a 4 anos de bonificação na carreira desaparecem e o grau de Doutor (o tal que daria para ser Ministro da Educação) passa de uma bonificação de 6 anos para apenas três e nem sequer é condição para passar a Titular (fica rasca à mesma!). “Como tão bem prega Frei Tomás, olha para o que ele diz e não para o que faz”. Mas há eco disto, claro que não, o que passa na comunicação é que os professores não querem ser avaliados pelos pais! Ter dois Muito Bom consecutivos ao longo de seis anos bonificará um ano para progressão e ter Bom bonificará seis meses, para além da burocracia, a não regulamentação (habitual) e as cotas para a sua atribuição impedirão a sua atribuição. O melhor mesmo é contentar-se em ser suficiente toda a vida. Todos quantos estão na faixa dos 40 e com cerca de 18 anos de serviço vêem as suas possibilidades de carreiras bloqueadas, tanto faz que sejam Muito Bons, muito formados ao longo da vida ou até doutores. Estes professores que não estão no 9º escalão não passam para a carreira de titular, à qual o acesso está condicionado pela realização de um concurso. Até aqui, sem problema, mas a existência um quadro de professores titulares correspondente a 1/3 dos professores da escola/agrupamento, que ficará bloqueado desde já pelas equiparações, implica um adeus à carreira nos próximos 15 a 20 anos. Suponham que tinham 18 anos de função, 40 de idade, um mestrado e que eram efectivos há mais de 12 anos numa escola, não seriam equiparados a titulares e quando quisessem mudar para esta carreira teriam que concorrer provavelmente para Freixo de Espada à Cinta, onde não deve haver muitos professores titulares! Lá se vai a retórica das equipes pedagógicas constantes para ciclos de ensino, tão promovida com os concursos para três e quatro anos, o que demonstra que já estas duas políticas cruzadas visavam aprisionar todos na mediocracia com vista à poupança.
Ainda falta analisar como se institui o cargo de director, devagarinho...Para ser presidente do executivo, (além da vontade) há que ser simultaneamente professor titular e ter especialização adequada, o que em muitos casos vai corresponder a mais um elemento para o clube dos conjuntos vazios da matemática desta Ministra, logo abre-se concurso para Director, e mais nada!!!
Concluindo, que a conversa já vai longa, o dinheiro gasta-se em cerca de 90% com os professores, há que cortar custos, logo “abatem-se” os professores nas suas carreiras. Nem era preciso ser economista, nem contabilista, nem doutor bastava ser dona de casa ou ter um pequeno salário. Mais simplex era difícil. É difícil entender é como é que a “Sociologia” do trabalho e/ou da educação ou as Ciências da Educação convivem com estas políticas economicistas encapotadas e acreditam ( ou não?) que assim os resultados serão melhores.A questão com que vos deixo é saber se a escola melhorou desde que esta Ministra coage, se os resultados são melhores, se o clima é melhor, se a motivação aumentou?Como vamos fazer-nos ouvir, com os sindicatos cada um por si, como sempre? Como vamos mudar, dando 5 a todos para uma escola de excelência e “caçando” quem abandona para não ter itens de avaliação estatísticos de resultados e abandono negativos como se propõem no ECD? Esperando e não tendo esperança? Viu-se no debate Parlamentar sobre a repetição dos exames do 12º ano como a Sr.ª Ministra, sem comunicação social e as suas manipulações a intermediar, se descontrolou e não soube explicar como se está tudo a correr bem o porquê da repetição. Aqui não podia culpar os professores, logo não há culpados.
Explique-nos devagarinho — e sem comunicação social pelo meio .Qual a Visão do Governo para a Educação nos próximos anos?
Qual a Missão para as Escolas e autonomia financeira e pedagógica para as definir e assumir?
Quais os objectivos das medidas e as formas de controlo e avaliação das próprias medidas?
Aurora Vieira - Professora
In Primeiro de Janeiro - 26/07/06