Coisas da Educação
O Blog onde se pode falar abertamente sobre temas de educação. Não é obrigatório dizer mal do Governo, mas se tiverem que dizer mal, não se inibam... se, porventura conseguirem encontrar uma boa razão para dizer bem... também se arranja um cantinho para isso. Diremos o que nos vai na alma... ainda qua a alma nos doa... pode ser que assim... deixe de nos doer. Para além disso, tentaremos mostrar o que por aí se vai dizendo e escrevendo sobre educação. Não deixem de comentar...
Acerca de mim
- Nome: Lusitano, professor
- Localização: Torres Vedras, Portugal
quinta-feira, julho 27, 2006
Este é outro dos grandes privilégios que os professores têm.
São obrigados a gozar férias entre 15 de Julho e 31 de Agosto. Às vezes, bem que me apetecia dar uma saltada a certos paraísos que estão em saldo na época baixa. Mas, isso nem pensar! Só mesmo quando tudo está mais caro e, ainda assim, superlotado.
Mas, eu também já sabia disso quando entrei para esta profissão de privilégios.
Agora só estou a sofrer as consequências dessa minha opção.
Estes professores são mesmo daaaaaaaa!!!
Se não já tinham tentado mudar isto.
E o que é que os impede?
Bom! Já não digo coisa com coisa. Estou mesmo a precisar de descanso.
E vou também interromper a actualização do Blog.
Prometo, no entanto, voltar em Setembro, com a pena bem afiada, porque avizinham-se tempos ainda mais conturbados.
Descansem, reflitam, divirtam-se...
Voltamos a ver-nos.
Até lá...
Boas Férias!!!
Lusitano
Exames chegam ao fim com "má nota" para Maria de Lurdes Rodrigues
Se ela fosse uma pessoa decente, quase que me apetecia ter pena dela!...
Coitada!
"- Eu não consigo falar.
- Eu não consigo falar."
Pois é!... É muito chato não nos deixarem falar quando queremos explicar-nos. Mas, afinal, não é isso que ela tem feito aos professores desde que chegou ao poleiro?
Mesmo quando a lei a obriga a ouvir os representantes dos professores, ela ignora-os e decide como bem entende. É a ditadura da maioria.
Razão tem o povo quando diz: "Quem com ferros mata... com ferros morre" ou, ainda, "Quem semeia ventos... colhe tempestades".
Pois a dita senhora já fez a sua sementeira, agora está a chegar a altura da colheita.
E, parafraseando, de novo, o nosso povo, ela "foi buscar lã e sujeita-se a ser tosquiada"...
Lusitano
Um mês, seis dias e perto de um milhão de enunciados depois, a fase de Exames Nacionais chegou ontem ao fim. Os resultados definitivos só serão conhecidos a 4 de Agosto, depois da divulgação das pautas da 2.ª fase. Mas a avaliação da forma como o Ministério da Educação (ME) conduziu o processo já foi feita - com nota negativa - por pais, associações científicas e sindicatos de professores e partidos políticos da oposição.No centro de toda a contestação - motivando mesmo a convocatória da ministra Maria de Lurdes Rodrigues para um debate de urgência na Assembleia da República - esteve a decisão, em cima da hora, de se adoptar um regime de excepção para as disciplinas de Química e Física do programa novo.Depois dos resultados desastrosos da 1.ª fase a estas disciplinas (médias de 6,9 e 7,7, respectivamente), a ministra entendeu que os maus resultados se deviam ao facto de se tratar de programas ainda em "fase experimental" de implementação. Por isso, decidiu que nestas disciplinas -"e apenas nestas" seria contrariado o princípio segundo o qual quem faz exames de melhoria de nota, na 2.ª fase, só pode concorrer ao ensino superior na fase de candidaturas correspondente.A medida foi duramente atacada, não apenas pela oposição e pelos sindicatos de professores, como por tradicionais apoiantes da ministra. A presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais, Maria José Viseu, considerou estar-se perante uma situação de "tratamento desigual" dos alunos. O deputado socialista António Vitorino, num programa da RTP, considerou: "Alguma coisa falhou. A ministra tem de dar uma explicação para tranquilizar as famílias". No Parlamento a governante recusou pedir desculpas, afirmando ter agido "para minimizar desigualdes". Mas os seus argumentos não convenceram os deputados. "A senhora ministra não tem dignidade intelectual para reconhecer os erros", acusou a deputada comunista Luísa Mesquita, numa acusação que marcou o tom de uma tarde agitada.Mais do que pelos resultados, neste mês de exames Maria de Lurdes Rodrigues foi criticada por nunca ter assumido falhas próprias ou de algum dos serviços do ME. Do Português do 9.º ano à Matemática e Química do 12.º ano, várias associações científicas de docentes apontaram falhas às provas, cuja elaboração está a cargo do Gabinete de Avaliação Educacional . Mas a ministra nunca abandonou o discurso de que "nada de grave" se passou nos exames."A senhora ministra faz mal em desvalorizar o que não lhe corre bem, porque assim não sabe onde melhorar", resumiu ao DN Mário Nogueira, da Fenprof. "Acho que estes exames resumiram o que foi a atitude do ministério: se se tratasse de alunos [a ministra e os seus secretários de Estado] teriam reprovado, qual deles com a pior nota." Entre os argumentos contrários a esta avaliação, Maria de Lurdes Rodrigues tem o facto de ter concluído, sem sobressaltos além dos assinalados, um processo de exames que envolveu mais de 200 mil alunos dos 9.º, 11.º e 12.º anos. Isto, num ano em que coincidiram dois programas do secundário, com provas diferentes às mesmas disciplinas.
Optimismo com a Física
O polémico exame de Física da 2.ª fase foi dos últimos realizados ontem. À saída das provas, tal como sucedera há dias com a Química, os alunos mostravam-se mais optimistas: " Este exame correu muito melhor, despachei-me muito mais cedo.", contou Tiago Rodrigues , 28 anos. "Correu muito melhor do que o outro", concordou Pedro Capitão, 17 anos. "Agora tudo depende desta nota, pois é a unica disciplina que falta para terminar o secundário", explicou. "Achei esta prova muito mais acessível", considerou o aluno que, na primeira fase, apenas conseguiu obter cinco valores.
O DN tentou, sem sucesso, obter um depoimento do Ministério da Educação.
Um mês, seis dias e perto de um milhão de enunciados depois, a fase de Exames Nacionais chegou ontem ao fim. Os resultados definitivos só serão conhecidos a 4 de Agosto, depois da divulgação das pautas da 2.ª fase. Mas a avaliação da forma como o Ministério da Educação (ME) conduziu o processo já foi feita - com nota negativa - por pais, associações científicas e sindicatos de professores e partidos políticos da oposição.No centro de toda a contestação - motivando mesmo a convocatória da ministra Maria de Lurdes Rodrigues para um debate de urgência na Assembleia da República - esteve a decisão, em cima da hora, de se adoptar um regime de excepção para as disciplinas de Química e Física do programa novo.Depois dos resultados desastrosos da 1.ª fase a estas disciplinas (médias de 6,9 e 7,7, respectivamente), a ministra entendeu que os maus resultados se deviam ao facto de se tratar de programas ainda em "fase experimental" de implementação. Por isso, decidiu que nestas disciplinas -"e apenas nestas" seria contrariado o princípio segundo o qual quem faz exames de melhoria de nota, na 2.ª fase, só pode concorrer ao ensino superior na fase de candidaturas correspondente.A medida foi duramente atacada, não apenas pela oposição e pelos sindicatos de professores, como por tradicionais apoiantes da ministra. A presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais, Maria José Viseu, considerou estar-se perante uma situação de "tratamento desigual" dos alunos. O deputado socialista António Vitorino, num programa da RTP, considerou: "Alguma coisa falhou. A ministra tem de dar uma explicação para tranquilizar as famílias". No Parlamento a governante recusou pedir desculpas, afirmando ter agido "para minimizar desigualdes". Mas os seus argumentos não convenceram os deputados. "A senhora ministra não tem dignidade intelectual para reconhecer os erros", acusou a deputada comunista Luísa Mesquita, numa acusação que marcou o tom de uma tarde agitada.Mais do que pelos resultados, neste mês de exames Maria de Lurdes Rodrigues foi criticada por nunca ter assumido falhas próprias ou de algum dos serviços do ME. Do Português do 9.º ano à Matemática e Química do 12.º ano, várias associações científicas de docentes apontaram falhas às provas, cuja elaboração está a cargo do Gabinete de Avaliação Educacional . Mas a ministra nunca abandonou o discurso de que "nada de grave" se passou nos exames."A senhora ministra faz mal em desvalorizar o que não lhe corre bem, porque assim não sabe onde melhorar", resumiu ao DN Mário Nogueira, da Fenprof. "Acho que estes exames resumiram o que foi a atitude do ministério: se se tratasse de alunos [a ministra e os seus secretários de Estado] teriam reprovado, qual deles com a pior nota." Entre os argumentos contrários a esta avaliação, Maria de Lurdes Rodrigues tem o facto de ter concluído, sem sobressaltos além dos assinalados, um processo de exames que envolveu mais de 200 mil alunos dos 9.º, 11.º e 12.º anos. Isto, num ano em que coincidiram dois programas do secundário, com provas diferentes às mesmas disciplinas.
Optimismo com a Física
O polémico exame de Física da 2.ª fase foi dos últimos realizados ontem. À saída das provas, tal como sucedera há dias com a Química, os alunos mostravam-se mais optimistas: " Este exame correu muito melhor, despachei-me muito mais cedo.", contou Tiago Rodrigues , 28 anos. "Correu muito melhor do que o outro", concordou Pedro Capitão, 17 anos. "Agora tudo depende desta nota, pois é a unica disciplina que falta para terminar o secundário", explicou. "Achei esta prova muito mais acessível", considerou o aluno que, na primeira fase, apenas conseguiu obter cinco valores.
O DN tentou, sem sucesso, obter um depoimento do Ministério da Educação.
Pedro Sousa Tavares com Eduardo Peres
in DN 26/07/06
quarta-feira, julho 26, 2006
O logro
A coisa tá ficando preta!...
Só cai no logro que quer. Mas o povo começa a abrir os olhos.
O povo e o Ministro das Finanças. Não sei como é que o Sócrates vai resolver isto.
Eles os dois não se entendem quanto à contratação de professores pelas escolas...O Primeiro não diz nada.
Um dia destes não há mais margem de manobra e a "Sinistra" cai do pedestal.Vai-se partir a loiça toda!!! Mas não contem comigo para apanhar um caco que seja.
Até me ria, se isto não me desse vontade de chorar!...
Lusitano
A diferença não está nas actuais políticas educativas (que já existiam); a diferença está nas formas de comunicação dessas mudanças e no exercício de poder.
O que se tem tentado fazer passar permanentemente é “as más práticas” no sentido de criar um clima favorável à ruptura e no puro exercício de uma liderança coerciva.
Tem sido sistematicamente criado um clima de desconfiança face à escola, uma desresponsabilização do ministério, que não tem rosto e está lá longe, e uma diabolização dos professores que estão bem ali à mão.
Foi criada uma “agenda “ para a comunicação social em que a Ministra, com uma imagem de serenidade e seriedade, transmite o exercício de poder como cada um “acha que deve ser” (desde que não seja na nossa escola com o nosso filho) porque, parece que, também coloca na mão de cada família parte desse poder.
Está a ser efectuado, através da comunicação social, um exercício, não de persuasão, mas de pura manipulação.
A opção não foi a de instaurar um clima democrático, de negociação e de confiança com os agentes; o caminho foi o da manipulação da opinião pública, de incorporação negativa com vista a “arrumar!” os professores das negociações e da formulação das políticas e anular o efeito da acção dos sindicatos.
Mas manipular para quê, então as medidas não são boas por si?
É que o objectivo é outro, e aqui somos chegados ao para quê?
O que se pretende de facto é criar o clima para a alteração ao ECD que mais não é do que um documento de regulação da carreira. Os princípios da proposta da ECD não são questionáveis, assentam nos estudos das ciências da educação sobre a profissão, sobre avaliação, etc. A questão é que a proposta de ECD traduz-se em mecanismo de controlo de acesso e promoção na carreira. Tudo o que se refere ao mérito cai, caindo com isso a retórica do “simplex”, da qualificação e do mérito, tão a gosto deste governo.
Os mestrados que agora correspondem a 4 anos de bonificação na carreira desaparecem e o grau de Doutor (o tal que daria para ser Ministro da Educação) passa de uma bonificação de 6 anos para apenas três e nem sequer é condição para passar a Titular (fica rasca à mesma!). “Como tão bem prega Frei Tomás, olha para o que ele diz e não para o que faz”. Mas há eco disto, claro que não, o que passa na comunicação é que os professores não querem ser avaliados pelos pais! Ter dois Muito Bom consecutivos ao longo de seis anos bonificará um ano para progressão e ter Bom bonificará seis meses, para além da burocracia, a não regulamentação (habitual) e as cotas para a sua atribuição impedirão a sua atribuição. O melhor mesmo é contentar-se em ser suficiente toda a vida. Todos quantos estão na faixa dos 40 e com cerca de 18 anos de serviço vêem as suas possibilidades de carreiras bloqueadas, tanto faz que sejam Muito Bons, muito formados ao longo da vida ou até doutores. Estes professores que não estão no 9º escalão não passam para a carreira de titular, à qual o acesso está condicionado pela realização de um concurso. Até aqui, sem problema, mas a existência um quadro de professores titulares correspondente a 1/3 dos professores da escola/agrupamento, que ficará bloqueado desde já pelas equiparações, implica um adeus à carreira nos próximos 15 a 20 anos. Suponham que tinham 18 anos de função, 40 de idade, um mestrado e que eram efectivos há mais de 12 anos numa escola, não seriam equiparados a titulares e quando quisessem mudar para esta carreira teriam que concorrer provavelmente para Freixo de Espada à Cinta, onde não deve haver muitos professores titulares! Lá se vai a retórica das equipes pedagógicas constantes para ciclos de ensino, tão promovida com os concursos para três e quatro anos, o que demonstra que já estas duas políticas cruzadas visavam aprisionar todos na mediocracia com vista à poupança.
Ainda falta analisar como se institui o cargo de director, devagarinho...Para ser presidente do executivo, (além da vontade) há que ser simultaneamente professor titular e ter especialização adequada, o que em muitos casos vai corresponder a mais um elemento para o clube dos conjuntos vazios da matemática desta Ministra, logo abre-se concurso para Director, e mais nada!!!
Concluindo, que a conversa já vai longa, o dinheiro gasta-se em cerca de 90% com os professores, há que cortar custos, logo “abatem-se” os professores nas suas carreiras. Nem era preciso ser economista, nem contabilista, nem doutor bastava ser dona de casa ou ter um pequeno salário. Mais simplex era difícil. É difícil entender é como é que a “Sociologia” do trabalho e/ou da educação ou as Ciências da Educação convivem com estas políticas economicistas encapotadas e acreditam ( ou não?) que assim os resultados serão melhores.A questão com que vos deixo é saber se a escola melhorou desde que esta Ministra coage, se os resultados são melhores, se o clima é melhor, se a motivação aumentou?Como vamos fazer-nos ouvir, com os sindicatos cada um por si, como sempre? Como vamos mudar, dando 5 a todos para uma escola de excelência e “caçando” quem abandona para não ter itens de avaliação estatísticos de resultados e abandono negativos como se propõem no ECD? Esperando e não tendo esperança? Viu-se no debate Parlamentar sobre a repetição dos exames do 12º ano como a Sr.ª Ministra, sem comunicação social e as suas manipulações a intermediar, se descontrolou e não soube explicar como se está tudo a correr bem o porquê da repetição. Aqui não podia culpar os professores, logo não há culpados.
Explique-nos devagarinho — e sem comunicação social pelo meio .Qual a Visão do Governo para a Educação nos próximos anos?
Qual a Missão para as Escolas e autonomia financeira e pedagógica para as definir e assumir?
Quais os objectivos das medidas e as formas de controlo e avaliação das próprias medidas?
Aurora Vieira - Professora
In Primeiro de Janeiro - 26/07/06
quarta-feira, julho 19, 2006
terça-feira, julho 18, 2006
Numa altura em que a actividade docente vive momentos conturbados Escola Soares Basto homenageou professores
Nem tudo está perdido!...
Ainda há boas notícias neste país. São poucas, de facto, mas se procurarmos bem...ainda se encontram.
Ora aí está uma comunidade que não acredita no que a "Sinistra" tem dito.
Parabéns!!!
Lusitano
“A Escola Secundária Soares Basto homenageou oito professores “numa singela, mas sentida manifestação de apreço e reconhecimento da comunidade educativa por aqueles profissionais da educação que contribuíram para o enobrecimento da arte de ensinar”.A estas palavras proferidas pela presidente do conselho executivo, a Prof.ª Maria José Cálix acrescentou “o enriquecimento pessoal e profissional de quantos tiveram o grato benefício de os ter como professores, colegas e amigos”.“A escola conta convosco”Aquela docente, depois de realçar a importância que os antigos professores têm para qualquer instituição de ensino, “quer pela sua experiência, quer pela sua humildade intelectual e pela tolerância aprendida e moldada pela vida”, dirigindo-se aos homenageados, disse: “O vosso tempo não passou, o nosso tempo é também o vosso. Será bom que a nossa escola possa continuar a contar convosco, com a vossa colaboração, conselhos e temperança. Não há professores fora do activo, nada desactiva um professor”.Por seu turno, o Prof. Djalma Marques considerou aquele encontro uma forma de evocar “a dádiva integral e frutuosa de um conjunto de professores que terminaram uma importante etapa das suas vidas”.Gratidão reflecte admiração e estimaEmbora reconhecendo que os homenageados “não precisam de palavras de reconhecimento, porque a sua maior alegria foi o sentido de dádiva e o espírito de serviço que os acompanharam ao longo da carreira”, Djalma Marques reconheceu que “a gratidão sincera e despojada destes amigos é uma mais-valia, pois reflecte admiração e estima, porque neste tempo cada vez mais anónimo a memória não está de todo varrida”.O orador foi mais longe e referindo-se ao presente “em que os professores tão maltratados têm sido”, acrescentou que eles “são uma peça vital do real e sustentado grau de desenvolvimento de um país. Num tempo em que a banalidade é um degrau para a fama é justo exaltar quem, de facto, atingiu o verdadeiro sucesso, porque ensinaram a despertar, acordaram para o sonho e inquietaram para a procura uma multidão de alunos ávidos de saber”.Para além de um jantar ao ar livre nas instalações daquele estabelecimento de ensino, servido com requinte pelos alunos da escola que frequentam o Curso de Especialização e Formação, ramo de hotelaria, os homenageados receberam lembranças: uma estrela de vidro da Marinha Grande com a frase “uma vida dedicada ao ensino”, bem como um quadro com um poema do Prof. João Augusto Guerra dedicado a todos os professores.
“A Escola Secundária Soares Basto homenageou oito professores “numa singela, mas sentida manifestação de apreço e reconhecimento da comunidade educativa por aqueles profissionais da educação que contribuíram para o enobrecimento da arte de ensinar”.A estas palavras proferidas pela presidente do conselho executivo, a Prof.ª Maria José Cálix acrescentou “o enriquecimento pessoal e profissional de quantos tiveram o grato benefício de os ter como professores, colegas e amigos”.“A escola conta convosco”Aquela docente, depois de realçar a importância que os antigos professores têm para qualquer instituição de ensino, “quer pela sua experiência, quer pela sua humildade intelectual e pela tolerância aprendida e moldada pela vida”, dirigindo-se aos homenageados, disse: “O vosso tempo não passou, o nosso tempo é também o vosso. Será bom que a nossa escola possa continuar a contar convosco, com a vossa colaboração, conselhos e temperança. Não há professores fora do activo, nada desactiva um professor”.Por seu turno, o Prof. Djalma Marques considerou aquele encontro uma forma de evocar “a dádiva integral e frutuosa de um conjunto de professores que terminaram uma importante etapa das suas vidas”.Gratidão reflecte admiração e estimaEmbora reconhecendo que os homenageados “não precisam de palavras de reconhecimento, porque a sua maior alegria foi o sentido de dádiva e o espírito de serviço que os acompanharam ao longo da carreira”, Djalma Marques reconheceu que “a gratidão sincera e despojada destes amigos é uma mais-valia, pois reflecte admiração e estima, porque neste tempo cada vez mais anónimo a memória não está de todo varrida”.O orador foi mais longe e referindo-se ao presente “em que os professores tão maltratados têm sido”, acrescentou que eles “são uma peça vital do real e sustentado grau de desenvolvimento de um país. Num tempo em que a banalidade é um degrau para a fama é justo exaltar quem, de facto, atingiu o verdadeiro sucesso, porque ensinaram a despertar, acordaram para o sonho e inquietaram para a procura uma multidão de alunos ávidos de saber”.Para além de um jantar ao ar livre nas instalações daquele estabelecimento de ensino, servido com requinte pelos alunos da escola que frequentam o Curso de Especialização e Formação, ramo de hotelaria, os homenageados receberam lembranças: uma estrela de vidro da Marinha Grande com a frase “uma vida dedicada ao ensino”, bem como um quadro com um poema do Prof. João Augusto Guerra dedicado a todos os professores.
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Os homenageados:
A Escola Homenageou oito dos seus professores, que se aposentaram nos últimos anos, mas dois, Teresa Semblano e António Bonifácio, por razões particulares não puderam estar presentes.Regressaram à escola para a homenagem os professores Avelino Cabral (Português), Carlos Flores (Mecanotecnia), Alzira Roldão (Físico-Química), Maria José Leal (Inglês, José Manuel Mendonça (Inglês e Alemão) e Fernando Amorim (Tecnologias).
Prof. Avelino Cabral“Estou aposentado há quatro anos, mas nunca esqueci a escola, que frequento assiduamente.Nasce-se e morre-se professor, é impossível esquecer isto”.
Prof. José Manuel Mendonça“Sou avesso a este tipo de cerimónias, de homenagens, porque em 32 anos de vida profissional fiz o que era meu dever, mas estou aqui com bastante emoção. Fiz tudo com o mínimo de dignidade, dei tudo o que poderia dar, pelo que, feito o balanço, estou de bem comigo e isso é suficiente.Tive muito gosto em voltar aqui ao fim de dois anos”.
Prof. Carlos Flores“Muito obrigado por esta escola me ter recebido como aluno e, mais tarde, como professor. No final da carreira, tenho muito gosto em afirmar que gostei muito de ter sido professor”.
Prof.ª Maria José Leal“Espero que cheguem a esta parte da vida com esta vitalidade e vontade de viver. Se a nível nacional não encontramos o reconhecimento, felizmente que esta escola reconhece-nos, enaltece o valor e o trabalho. Gostei muito de ser professora nesta escola”.
Prof. Fernando Amorim“De todas as profissões que tive esta foi a que mais gostei, foi a minha paixão. É a profissão mais bela, permite-nos ouvir, darmos a nossa opinião e conhecimentos e deixa-nos ser generosos. Em todos estes anos, não conheci o meu patrão e quem trabalha sem o conhecer é porque gostaEsta escola foi a quarta, mas faz parte da minha vida, foi a melhor que tive”.
Prof.ª Alzira Roldão“Não era aquilo que eu queria, mas gostei de ser professora. Vim para o ensino, gostei, vivi uma etapa da minha vida. Fechei uns gavetões, abri outros e já não tenho tempo para os abrir a todos e mexer em toda a tralha que tenho lá.Agradeço a quantos tiveram a ideia e colaboraram nesta simpática reunião”.
In Correio de Azeméis - edição actualmente on line
A Educação, as políticas e os actores: das lógicas do mercado às lógicas societárias
Leiam com atenção este texto, publicado no Portal de Setúbal - Setúbal na Rede.
Ainda existem pessoas que estudam, investigam e, falam, apenas, do que sabem.
Isso dá-nos alguma tranquilidade e merece o nosso respeito.
Estas opiniões merecem ser lidas e divulgadas. Vale a pena lê-las porque nos enriquecem e obrigam-nos a pensar.
Também aqui se fala de exigência, aliada à qualidade, mas, acima de tudo, de bom senso e competência, para identificar o que é importante e descartar o que é acessório.
Infelizmente, correndo o risco de me repetir, as pessoas que têm consciência destas coisas, não são convidadas ou recusam os "tachos" de ministros.
Lusitano
Ciclicamente a educação e a escola são objecto de profundas discussões. Discussões muitas vezes alicerçadas entre um “discurso catastrófico” assente na “crise” e um outro (mais lúcido, minoritário e menos visível) que, conhecendo a história da educação e os diferentes tipos de políticas e actores envolvidos, não ignora os desafios diferenciados que se colocam em cada época à educação e à escola, procurando encontrar outros olhares, referências e modos organizativos que contribuam para a afirmação de uma escola pública como centro educativo e cultural onde interagem mundos, actores e políticas plurais.
O momento que a sociedade portuguesa atravessa é particularmente interessante e um bom indicador da necessidade de ferramentas que ajudem a enquadrar de outros modos as temáticas predominantes – já gastas, pobres e fastidiosas – assentes em quadros de pensamento que afirmam que “os estudantes não aprendem”; “a escola não ensina nada”; a “educação está prisioneira das pedagogias românticas e do ‘eduquês’”; que afirmam a necessidade da “livre escolha”, da “gestão profissionalizada”, entre outros.
Na minha perspectiva tudo isto está profundamente viciado logo à partida. Viciado por três razões principais. A primeira relacionada com a designada “crise”. Só um profundo desconhecimento da História da Educação em Portugal, assim como da História da Educação de outros países – e as diferentes políticas que a corporizaram, é que explica o não entendimento do confronto que caracterizou as diferentes épocas, muitas vezes alicerçadas em truísmos do tipo “no meu tempo é que se aprendia”, “no meu tempo não havia a indisciplina que existe agora”. A segunda, nunca se exigiu tanto à escola como organização e território de formação. Da “escola como organização de acção social”, à “escola como ocupação de tempos livres”, da “educação sexual”, à “educação rodoviária, para os media, ambiental, para a cidadania, para a saúde”. Os exemplos multiplicam-se. A terceira razão assenta no predomínio da economia, das finanças e das lógicas de mercado como modos de regulação social e cultural sobre outro tipo de lógicas e quadros de pensamento societários.
Neste contexto, é urgente a necessidade de tornar a centrar a discussão em torno das finalidades da educação e da escola que ultrapassem os paradigmas dominantes e em que não se confundam e não se misturem os planos que dizem respeito ao trabalho e à cultura escolar e os planos que se relacionam com os papéis da sociedade.
Num livro publicado em 1995 e intitulado The End of Education Neil Postman, interrogando-se sobre a crise da escola, procura encontrar novas narrativas que ajudem, por um lado, a construir outros olhares e sentidos em relação à educação, e, por outro, rejeitem alguns deuses, que procuram reorganizar o trabalho educativo e escolar. Deuses da utilidade económica, do consumismo, da tecnologia, do separatismo étnico e cultural. Nos seus argumentos Postman refere que a educação pública depende de criação de narrativas que são partilhadas e da recusa de narrativas que contribuam para a sua alienação.
“O que torna públicas as escolas públicas”, diz este autor, “não é tanto o facto de terem objectivos comuns, mas o facto de os seus alunos terem objectivos comuns. A razão é simples: a educação pública não serve um público; ela cria um público. (…) A questão essencial não se encontra nos computadores, nos exames, na avaliação dos professores, na dimensão das turmas ou noutros aspectos da gestão das escolas. A questão reside em dois pontos, e apenas em dois: a existência de narrativas partilhadas e a capacidade destas narrativas darem um sentido inspirador à educação”
Neil Postman procura estabelecer um debate que, inscrito numa história, recusa a ligeireza e as certezas alicerçadas numa espécie de “ideologias de salvação nacional”, de “grandes soluções” com que a escola e a educação são confrontadas. No entanto, se é fácil estabelecer alguns consensos em torno de um conjunto de princípios, por exemplo, rigor, trabalho, exames, responsabilidade, as dificuldades surgem quando se interrogam os fins e as narrativas que os estruturam e organizam.
Sem um pensamento assente na história da educação e da cultura mais difícil serão os caminhos a percorrer. Isto não significa que dela se fique prisioneiro, mas que a partir dela se possa encontrar um pensamento novo que ajude a imaginar outras lógicas e outras formas de organização dos espaços educativos e formativos. Para isso é preciso entender o ensino e a educação não como um processo de treino e de adaptação a determinados modelos educativos e sociais pré-programados, mas sim como um processo de compreensão e de intervenção no mundo da cultura, do trabalho, da sociedade, com a consciência “do inacabamento” de que fala Paulo Freire.
Por outro lado, a educação não se joga apenas nos espaços e nos tempos da escola. Joga-se em geografias múltiplas em que interagem redes diferenciadas de sentidos e onde se confrontam olhares, saberes e experiências, muitas vezes paradoxais e em conflito, mas também complementares e em convergência.
As intervenções recentes no âmbito das políticas públicas estão, infelizmente, ainda longe destes desígnios. Apenas dois exemplos.
No âmbito do ensino superior público, em particular na reestruturação inscrita na “Declaração de Bolonha”, este tem perdido uma oportunidade única de contribuir para a construção de narrativas partilhadas. Basta dizer que nas áreas que melhor conheço, as artes e a formação de professores, poucas são as instituições que trabalharam e trabalham em conjunto com os diferentes sectores e organizações sociais, educativas, formativas e culturais no sentido de (re)imaginarem e (re) organizarem as suas ofertas de formação.
Também o ensino não superior tem estado prisioneiro de quadros de pensamento e de acção política e, imputando as responsabilidades ao Ministério da Educação e ao Governo – que as tem obviamente – esquece muitas vezes que não é só o Estado que desenvolve políticas. As escolas, os professores, os pais e os estudantes são também construtores de políticas. Pelo que fazem e pelo que não fazem.
O pensamento burocrático, corporativo e hierarquizado não se encontra apenas nos corredores dos Ministérios.
Repensar a educação pública, a escola, as políticas, os actores e as diferentes redes de interacção, imaginar propostas que reconciliem a educação e a escola com a sociedade e que chamem a sociedade para uma maior participação neste tipo de actividades afigura-se um elemento fundamental no trabalho a desenvolver de modo a aumentar o compromisso social com a educação como espaço público e a contribuir para evitar a ligeireza com que, predominantemente, se fala da educação, da escola, das políticas e dos seus profissionais.
No fundo procurar outros quadros paradigmáticos assentes na diversidade, diferenciação, autonomia e responsabilização em que o centro não está nos conteúdos, burocraticamente formalizados, muitas vezes desactualizados e descontextualizados, mas na interdependência entre os saberes, as pessoas, as experiências e os contextos, entre as diferentes comunidades de aprendizagem bem como os modelos organizacionais que lhes dão corpo. Que dê outros sentidos para o trabalho da escola, para o trabalho docente, para o trabalho dos estudantes, em que a cultura de rigor, do esforço, da justiça, do diálogo, da inquietação, do ‘inacabamento’, e das parcerias societais pós-burocráticas, se constituam como narrativas partilhadas na construção de um bem comum, de uma sociedade mais culta, informada, participativa e exigente.
O momento que a sociedade portuguesa atravessa é particularmente interessante e um bom indicador da necessidade de ferramentas que ajudem a enquadrar de outros modos as temáticas predominantes – já gastas, pobres e fastidiosas – assentes em quadros de pensamento que afirmam que “os estudantes não aprendem”; “a escola não ensina nada”; a “educação está prisioneira das pedagogias românticas e do ‘eduquês’”; que afirmam a necessidade da “livre escolha”, da “gestão profissionalizada”, entre outros.
Na minha perspectiva tudo isto está profundamente viciado logo à partida. Viciado por três razões principais. A primeira relacionada com a designada “crise”. Só um profundo desconhecimento da História da Educação em Portugal, assim como da História da Educação de outros países – e as diferentes políticas que a corporizaram, é que explica o não entendimento do confronto que caracterizou as diferentes épocas, muitas vezes alicerçadas em truísmos do tipo “no meu tempo é que se aprendia”, “no meu tempo não havia a indisciplina que existe agora”. A segunda, nunca se exigiu tanto à escola como organização e território de formação. Da “escola como organização de acção social”, à “escola como ocupação de tempos livres”, da “educação sexual”, à “educação rodoviária, para os media, ambiental, para a cidadania, para a saúde”. Os exemplos multiplicam-se. A terceira razão assenta no predomínio da economia, das finanças e das lógicas de mercado como modos de regulação social e cultural sobre outro tipo de lógicas e quadros de pensamento societários.
Neste contexto, é urgente a necessidade de tornar a centrar a discussão em torno das finalidades da educação e da escola que ultrapassem os paradigmas dominantes e em que não se confundam e não se misturem os planos que dizem respeito ao trabalho e à cultura escolar e os planos que se relacionam com os papéis da sociedade.
Num livro publicado em 1995 e intitulado The End of Education Neil Postman, interrogando-se sobre a crise da escola, procura encontrar novas narrativas que ajudem, por um lado, a construir outros olhares e sentidos em relação à educação, e, por outro, rejeitem alguns deuses, que procuram reorganizar o trabalho educativo e escolar. Deuses da utilidade económica, do consumismo, da tecnologia, do separatismo étnico e cultural. Nos seus argumentos Postman refere que a educação pública depende de criação de narrativas que são partilhadas e da recusa de narrativas que contribuam para a sua alienação.
“O que torna públicas as escolas públicas”, diz este autor, “não é tanto o facto de terem objectivos comuns, mas o facto de os seus alunos terem objectivos comuns. A razão é simples: a educação pública não serve um público; ela cria um público. (…) A questão essencial não se encontra nos computadores, nos exames, na avaliação dos professores, na dimensão das turmas ou noutros aspectos da gestão das escolas. A questão reside em dois pontos, e apenas em dois: a existência de narrativas partilhadas e a capacidade destas narrativas darem um sentido inspirador à educação”
Neil Postman procura estabelecer um debate que, inscrito numa história, recusa a ligeireza e as certezas alicerçadas numa espécie de “ideologias de salvação nacional”, de “grandes soluções” com que a escola e a educação são confrontadas. No entanto, se é fácil estabelecer alguns consensos em torno de um conjunto de princípios, por exemplo, rigor, trabalho, exames, responsabilidade, as dificuldades surgem quando se interrogam os fins e as narrativas que os estruturam e organizam.
Sem um pensamento assente na história da educação e da cultura mais difícil serão os caminhos a percorrer. Isto não significa que dela se fique prisioneiro, mas que a partir dela se possa encontrar um pensamento novo que ajude a imaginar outras lógicas e outras formas de organização dos espaços educativos e formativos. Para isso é preciso entender o ensino e a educação não como um processo de treino e de adaptação a determinados modelos educativos e sociais pré-programados, mas sim como um processo de compreensão e de intervenção no mundo da cultura, do trabalho, da sociedade, com a consciência “do inacabamento” de que fala Paulo Freire.
Por outro lado, a educação não se joga apenas nos espaços e nos tempos da escola. Joga-se em geografias múltiplas em que interagem redes diferenciadas de sentidos e onde se confrontam olhares, saberes e experiências, muitas vezes paradoxais e em conflito, mas também complementares e em convergência.
As intervenções recentes no âmbito das políticas públicas estão, infelizmente, ainda longe destes desígnios. Apenas dois exemplos.
No âmbito do ensino superior público, em particular na reestruturação inscrita na “Declaração de Bolonha”, este tem perdido uma oportunidade única de contribuir para a construção de narrativas partilhadas. Basta dizer que nas áreas que melhor conheço, as artes e a formação de professores, poucas são as instituições que trabalharam e trabalham em conjunto com os diferentes sectores e organizações sociais, educativas, formativas e culturais no sentido de (re)imaginarem e (re) organizarem as suas ofertas de formação.
Também o ensino não superior tem estado prisioneiro de quadros de pensamento e de acção política e, imputando as responsabilidades ao Ministério da Educação e ao Governo – que as tem obviamente – esquece muitas vezes que não é só o Estado que desenvolve políticas. As escolas, os professores, os pais e os estudantes são também construtores de políticas. Pelo que fazem e pelo que não fazem.
O pensamento burocrático, corporativo e hierarquizado não se encontra apenas nos corredores dos Ministérios.
Repensar a educação pública, a escola, as políticas, os actores e as diferentes redes de interacção, imaginar propostas que reconciliem a educação e a escola com a sociedade e que chamem a sociedade para uma maior participação neste tipo de actividades afigura-se um elemento fundamental no trabalho a desenvolver de modo a aumentar o compromisso social com a educação como espaço público e a contribuir para evitar a ligeireza com que, predominantemente, se fala da educação, da escola, das políticas e dos seus profissionais.
No fundo procurar outros quadros paradigmáticos assentes na diversidade, diferenciação, autonomia e responsabilização em que o centro não está nos conteúdos, burocraticamente formalizados, muitas vezes desactualizados e descontextualizados, mas na interdependência entre os saberes, as pessoas, as experiências e os contextos, entre as diferentes comunidades de aprendizagem bem como os modelos organizacionais que lhes dão corpo. Que dê outros sentidos para o trabalho da escola, para o trabalho docente, para o trabalho dos estudantes, em que a cultura de rigor, do esforço, da justiça, do diálogo, da inquietação, do ‘inacabamento’, e das parcerias societais pós-burocráticas, se constituam como narrativas partilhadas na construção de um bem comum, de uma sociedade mais culta, informada, participativa e exigente.
António Ângelo Vasconcelos (Professor Adjunto Equiparado / Departamento de música)
Exigência = Qualidade e Excelência.
Faz hoje 50 anos a maior instituição cultural do país.
A Fundação Glubenkian tem sido o verdadeiro Ministério da Cultura ao longo deste meio Século de vida.
A Música, a Dança, a Pintura, a Escultura, em suma, a Arte de uma forma geral têm-se confundido, em Portugal, com esta instituição que Calouste Glubenkian, um cidadão Arménio, - nem sequer era português - nos legou, como reconhecimento pelo acolhimento que aqui recebeu.
Mas também a educação muito lhe deve. Quantas pessoas, neste país, não cultivaram o gosto pela leitura através das Bibliotecas Itinerantes da Glubenkian?
Quantas pessoas, neste país não se formaram, aqui e no estrangeiro, recorrendo às bolsas atribuídas pela Fundação?
Pena é que... a incompetência que nos tem governado não tenha percebido, como Calouste Glubenkian, o valor e a importância da Exigência.
É que esta Fundação, tal como o seu mentor, por ser exigente, tem o selo da Qualidade e da Excelência.
Porquê? Perguntarão os menos avisados.
É que o lema pelo qual Glubenkian se regia foi o maior legado que deixou à sua Fundação:
"Só o melhor é suficientemente bom."
Imaginem o que aconteceria se o lema da Fundação se generalizasse ao país!?
Vamos sonhando...pois... como diz o poeta - o sonho comanda a vida.
Pinto Gonçalves - Professor
segunda-feira, julho 17, 2006
A avaliação dos alunos - novas tendências
Esta autêntica pérola circula por aí na Net...
Isto pode parecer virtual, mas... acreditem ou não, é bem real e é o caminho cada vez mais usado para o (politicamente correcto) sucesso estatístico, que nos orgulhamos de mostrar à União Europeia.
Somos os maiores...carago!!! (carago não, carago!)
Lusitano
Carta aos professores que têm de mudar.... e cumprir as orientações políticas da Srª Ministra...
Assunto: : A avaliação dos alunos - novas tendências
Caros professores:
As coisas têm de mudar, dizem as novas correntes da Educação.. Aqui está um exemplo da NOVA ATITUDE que os professores têm de adoptar, a bem dos tempos modernos.
Caros professores:
As coisas têm de mudar, dizem as novas correntes da Educação.. Aqui está um exemplo da NOVA ATITUDE que os professores têm de adoptar, a bem dos tempos modernos.
Avaliação de um exercício nos tempos que correm...
QUESTÃO PROPOSTA: 6 + 7 = ?
A . EXERCÍCIO FEITO PELO ALUNO: 6 + 7 = 18
B . ANÁLISE:
A grafia do número seis está absolutamente correcta; O mesmo se pode concluir quanto ao número sete ;
O sinal operacional + indica-nos, correctamente, que se trata de uma adição;
Quanto ao resultado , verifica-se que o primeiro algarismo (1) está correctamente escrito - corresponde ao primeiro algarismo da soma pedida. O segundo algarismo pode muito bem ser entendido como um três escrito simetricamente - repare-se na simetria, considerando-se um eixo vertical! Assim, o aluno enriqueceu o exercício recorrendo a outros conhecimentos.. A sua intenção era, portanto, boa.
C . AVALIAÇÃO:
Do conjunto de considerações tecidas nesta análise, podemos concluir que:
A atitude do aluno foi positiva: ele tentou!
Os procedimentos estão correctamente encadeados : os elementos estão dispostos pela ordem precisa.
Nos conceitos, só se enganou (?) num dos seis elementos que formam o exercício, o que é perfeitamente negligenciável.
Na verdade, o aluno acrescentou uma mais-valia ao exercício ao trazer para a proposta de resolução outros conceitos estudados - as simetrias... - realçando as conexões matemáticas que sempre coexistem em qualquer exercício...
Em consequência, podemos atribuir-lhe um......"EXCELENTE"...
...e afirmar que o aluno... ..." PROGRIDE ADEQUADAMENTE"!!!
QUESTÃO PROPOSTA: 6 + 7 = ?
A . EXERCÍCIO FEITO PELO ALUNO: 6 + 7 = 18
B . ANÁLISE:
A grafia do número seis está absolutamente correcta; O mesmo se pode concluir quanto ao número sete ;
O sinal operacional + indica-nos, correctamente, que se trata de uma adição;
Quanto ao resultado , verifica-se que o primeiro algarismo (1) está correctamente escrito - corresponde ao primeiro algarismo da soma pedida. O segundo algarismo pode muito bem ser entendido como um três escrito simetricamente - repare-se na simetria, considerando-se um eixo vertical! Assim, o aluno enriqueceu o exercício recorrendo a outros conhecimentos.. A sua intenção era, portanto, boa.
C . AVALIAÇÃO:
Do conjunto de considerações tecidas nesta análise, podemos concluir que:
A atitude do aluno foi positiva: ele tentou!
Os procedimentos estão correctamente encadeados : os elementos estão dispostos pela ordem precisa.
Nos conceitos, só se enganou (?) num dos seis elementos que formam o exercício, o que é perfeitamente negligenciável.
Na verdade, o aluno acrescentou uma mais-valia ao exercício ao trazer para a proposta de resolução outros conceitos estudados - as simetrias... - realçando as conexões matemáticas que sempre coexistem em qualquer exercício...
Em consequência, podemos atribuir-lhe um......"EXCELENTE"...
...e afirmar que o aluno... ..." PROGRIDE ADEQUADAMENTE"!!!
quinta-feira, julho 13, 2006
REUNIÃO CONJUNTA DOS SINDICATOS DE PROFESSORES
Até que enfim!...
Parece que ganharam juízo!
Esta é mais uma grande façanha da "Sinistra da Educação"que conseguiu o que parecia impossível - unir todos os sindicatos.
Só estou curioso para ver o que é que os habituais profissionais da maledicência: os Sousa Tavares... as Inês Pedrosas... e outros que tais... vão dizer por os professores se manifestarem num feriado.
Quem é que eles dirão que vai ser prejudicado desta vez?!
Provavelmente irão dizer que os professores se vão cansar muito no feriado e depois o seu desempenho no dia seguinte não vai ser o melhor... o que prejudica os alunos, os pais, as escolas, o país...
Enfim!... Estes professores são as ervas daninhas da sociedade!
Há que exterminá-los. Vão preparando os pesticidas...
Lusitano
Um atentado à dignidade
Professores unem-se em marcha de protesto a 5 de Outubro
Dando corpo à generalizada revolta dos professores e educadores, as organizações sindicais de docentes estiveram reunidas hoje, dia 12 de Julho, num hotel em Lisboa, procurando encontrar formas de unificar a contestação dos docentes à proposta de revisão do Estatuto da Carreira Docente (ECD) apresentado pelo Ministério da Educação (ME), que é considerada pelos sindicatos presentes como o mais grave atentado à dignidade da profissão docente após o 25 de Abril de 1974.A unificação e conjugação das diversas formas de luta, envolvendo todos os sindicatos, foi considerada viável e necessária, tendo já acordado na realização de uma Marcha Nacional dos Professores e Educadores, a realizar no dia 5 de Outubro – Dia Mundial dos Professores – apesar de ser feriado nacional.Os Sindicatos presentes decidiram voltar a reunir-se no final de Julho, após as reuniões de negociação previstas para esse período, para dar corpo a uma definição clara de um calendário de acção e de lutas que obrigue o ME a repensar radicalmente as suas propostas e a sua postura negocial.
Lisboa, 12 de Julho de 2006
As Organizações presentes na reunião:
• FENPROF (Federação Nacional dos Professores)• FNE (Federação Nacional dos Sindicatos de Educação)• FENEI (Federação Nacional do Ensino e Investigação)• ASPL (Associação Sindical de Professores Licenciados)• AS Pró-Ordem (Associação Sindical Pró Ordem)• SEPLEU (Sindicato dos Educadores e Professores Licenciados pelas Escolas Superiores de Educação e Universidades)• SINAPE (Sindicato Nacional dos Profissionais de Educação)• SIPE (Sindicato Independente de Professores e Educadores)• SNPES (Sindicato Nacional dos Professores do Ensino Secundário)• SNPL (Sindicato Nacional de Professores Licenciados)• SPLIU (Sindicato Nacional dos Professores Licenciados pelos Politécnicos e Universidades)
segunda-feira, julho 10, 2006
Num Reino sem cor… O reinado da Rainha de Copas…
O que não é dito pelos responsáveis do ministério é que, ainda que os docentes cumpram todos os requisitos para a progressão, esta está dependente da abertura de vagas, terá acesso condicionado. Muitos docentes têm já garantias de que, ainda que mereçam e consigam passar todos os obstáculos do percurso, quem ri por último é o Ministério da Educação… Num país cinzento, onde as cores se esbateram nos discursos e a esperança mora ao lado de todos nós… A Rainha de Copas dita as leis… E este está longe de ser o País das Maravilhas.
Desde muito cedo me foi ensinado que, respeitando o mérito dos meus pares, conquistaria o seu respeito… Respeito que leva à solidariedade, à união em torno de causas comuns. Coloco a tónica na questão do respeito, porque considero que este aspecto tem andado algo ausente dos discursos dos últimos tempos, em torno das questões da Educação. Optei, assim, por tecer algumas considerações sobre a proposta de alteração do Estatuto da Carreira Docente. Primeiramente, começar por dizer que não tenho, de forma alguma, a veleidade de dizer aqui que não há problemas graves nas nossas escolas. Rejeito, contudo, qualquer acusação demagógica de que o problema está totalmente centrado na classe docente e de que, se, por um truque de magia qualquer, substituíssemos todos os professores por “bons professores”, se acabavam os males do nosso enfermíssimo sistema. Infelizmente, tudo é muito mais complexo. Quando falava em respeito pelos pares, referia-me, evidentemente, a uma lição que aprendi quando era criança, mas que a senhora Ministra da Educação parece nunca ter aprendido. Assim o demonstra a arrogância e hostilidade com que se refere aos docentes. É, no mínimo, irónico que o ministério venha apelando ao reforço das intervenções colaborativas em contexto escolar e se esqueça de que essa dimensão colaborativa é também fulcral a nível da interacção dos vários patamares hierárquicos. Se, em substituição desta estratégia, estivesse apostada em granjear o natural apoio dos docentes, no combate real dos problemas, os resultados seriam, provavelmente, diferentes. A leveza com que são tratados determinados assuntos é, no mínimo, assustadora, merecendo alguma reflexão. «Uma coisa é insultar, outra coisa é agredir». Estas foram as palavras da senhora ministra quando questionada acerca da violência nas escolas. Se analisarmos bem as implicações desta declaração, percebemos que são gravíssimas. Percebemos que a senhora ministra concebe uma escola onde há lugar para o insulto. Há lugar para a ausência de respeito. Eu, como docente, não o concebo. Nenhum docente deverá concebê-lo. Suponho que nenhum cidadão no seu perfeito juízo concebe. Ninguém quer uma escola que ensine ao seu educando a mais-valia do insulto. Porque ela, simplesmente, não existe. Insultar é agredir verbalmente, tão grave como qualquer tipo de agressão, seja ela de que ordem for. A grande celeuma que tem envolvido a proposta de alteração ao ECD tem sido direccionada sobretudo para a questão da avaliação dos docentes, de forma redutora, diga-se. Ninguém questiona a pertinência da avaliação do desempenho dos docentes. O que se questiona é a forma como este processo vai ser operacionalizado, quais os pressupostos que lhe vão estar subjacentes e qual o objectivo que realmente move o ministério, ao levar a cabo a “Operação Reprimenda”. A operacionalização é um enigma. O pouco que se consegue obter do Olimpo é: “A proposta apresenta os princípios, e a implementação do processo está ainda em estudo”. Ou seja, a tutela sabe que quer fazer, mas ainda não disse como. Será que sabe? Não parece. Senão vejamos. A avaliação dos docentes, com influência directa na sua progressão na carreira (é muito importante que seja sublinhado), vai ser feita com base em aspectos tão relativos como: taxa de abandono escolar, sucesso escolar dos discentes, parecer dos encarregados de educação (entre outros aspectos). Ou seja, um docente que leccione numa escola, inserida num meio cuja propensão seja a da desvalorização da importância da frequência escolar, onde se verifiquem altas taxas de abandono escolar, deverá ser penalizado na sua avaliação? O único factor que intervém numa situação destas é o da arbitrariedade da colocação. Um jogo de sorte ou azar… Passemos agora à vertente do sucesso escolar dos alunos. No plano teórico, não é errado dizer que um professor é tão melhor profissional quanto maior for o sucesso do seu aluno. Aparentemente simples e consensual. No entanto, qualquer um percebe que o conceito de sucesso está longe de ser absoluto. Um aluno só tem sucesso se alcançar classificações de 18 valores? Será que um docente não é bem sucedido se conseguir que um aluno, com um percurso escolar cheio de debilidades, consiga atingir classificações satisfatórias? Onde é mais necessária a intervenção de um docente: junto de um aluno que tem um bom percurso escolar, inserido num contexto favorável à aprendizagem, visando subir a média de 18 para 19; ou, por outro lado, junto de um aluno carenciado, inserido num meio adverso? Questões como estas colocar-se-iam ad eternum… No tocante ao parecer dos encarregados de educação, que nem sempre serão os pais dos alunos, mas podem ser os próprios alunos (que são encarregados de educação de si mesmos), há várias nuances. Em que plano vão os E.E. avaliar os docentes? No plano pedagógico? Competência científica? Capacidade de relacionamento interpessoal? Com base em quê? Impressões colhidas por si ou pelos seus educandos? Onde estão a objectividade e o rigor defendidos pelo ministério? Finalmente, o objectivo que está por detrás desta proposta: reduzir custos. Tudo se resume a isto. Criar uma pista cheia de obstáculos para os professores tentarem ultrapassar um atrás do outro, num esquema quase maquiavélico, em que há alguém “lá em cima” que nos olha cá em baixo e diz: “Ele não sabe que, ainda que passe este, não vai passar o próximo… E na improbabilidade de isso acontecer, há muitos outros que o aguardam!”. A proposta não visa a implementação de um sistema meritocrático. Visa impedir que os docentes progridam para não auferirem melhores salários. O que não é dito pelos responsáveis do ministério é que, ainda que os docentes cumpram todos os requisitos para a progressão, esta está dependente da abertura de vagas, terá acesso condicionado. Muitos docentes têm já garantias de que, ainda que mereçam e consigam passar todos os obstáculos do percurso, quem ri por último é o Ministério da Educação… Num país cinzento, onde as cores se esbateram nos discursos e a esperança mora ao lado de todos nós… A Rainha de Copas dita as leis… E este está longe de ser o País das Maravilhas.
Desde muito cedo me foi ensinado que, respeitando o mérito dos meus pares, conquistaria o seu respeito… Respeito que leva à solidariedade, à união em torno de causas comuns. Coloco a tónica na questão do respeito, porque considero que este aspecto tem andado algo ausente dos discursos dos últimos tempos, em torno das questões da Educação. Optei, assim, por tecer algumas considerações sobre a proposta de alteração do Estatuto da Carreira Docente. Primeiramente, começar por dizer que não tenho, de forma alguma, a veleidade de dizer aqui que não há problemas graves nas nossas escolas. Rejeito, contudo, qualquer acusação demagógica de que o problema está totalmente centrado na classe docente e de que, se, por um truque de magia qualquer, substituíssemos todos os professores por “bons professores”, se acabavam os males do nosso enfermíssimo sistema. Infelizmente, tudo é muito mais complexo. Quando falava em respeito pelos pares, referia-me, evidentemente, a uma lição que aprendi quando era criança, mas que a senhora Ministra da Educação parece nunca ter aprendido. Assim o demonstra a arrogância e hostilidade com que se refere aos docentes. É, no mínimo, irónico que o ministério venha apelando ao reforço das intervenções colaborativas em contexto escolar e se esqueça de que essa dimensão colaborativa é também fulcral a nível da interacção dos vários patamares hierárquicos. Se, em substituição desta estratégia, estivesse apostada em granjear o natural apoio dos docentes, no combate real dos problemas, os resultados seriam, provavelmente, diferentes. A leveza com que são tratados determinados assuntos é, no mínimo, assustadora, merecendo alguma reflexão. «Uma coisa é insultar, outra coisa é agredir». Estas foram as palavras da senhora ministra quando questionada acerca da violência nas escolas. Se analisarmos bem as implicações desta declaração, percebemos que são gravíssimas. Percebemos que a senhora ministra concebe uma escola onde há lugar para o insulto. Há lugar para a ausência de respeito. Eu, como docente, não o concebo. Nenhum docente deverá concebê-lo. Suponho que nenhum cidadão no seu perfeito juízo concebe. Ninguém quer uma escola que ensine ao seu educando a mais-valia do insulto. Porque ela, simplesmente, não existe. Insultar é agredir verbalmente, tão grave como qualquer tipo de agressão, seja ela de que ordem for. A grande celeuma que tem envolvido a proposta de alteração ao ECD tem sido direccionada sobretudo para a questão da avaliação dos docentes, de forma redutora, diga-se. Ninguém questiona a pertinência da avaliação do desempenho dos docentes. O que se questiona é a forma como este processo vai ser operacionalizado, quais os pressupostos que lhe vão estar subjacentes e qual o objectivo que realmente move o ministério, ao levar a cabo a “Operação Reprimenda”. A operacionalização é um enigma. O pouco que se consegue obter do Olimpo é: “A proposta apresenta os princípios, e a implementação do processo está ainda em estudo”. Ou seja, a tutela sabe que quer fazer, mas ainda não disse como. Será que sabe? Não parece. Senão vejamos. A avaliação dos docentes, com influência directa na sua progressão na carreira (é muito importante que seja sublinhado), vai ser feita com base em aspectos tão relativos como: taxa de abandono escolar, sucesso escolar dos discentes, parecer dos encarregados de educação (entre outros aspectos). Ou seja, um docente que leccione numa escola, inserida num meio cuja propensão seja a da desvalorização da importância da frequência escolar, onde se verifiquem altas taxas de abandono escolar, deverá ser penalizado na sua avaliação? O único factor que intervém numa situação destas é o da arbitrariedade da colocação. Um jogo de sorte ou azar… Passemos agora à vertente do sucesso escolar dos alunos. No plano teórico, não é errado dizer que um professor é tão melhor profissional quanto maior for o sucesso do seu aluno. Aparentemente simples e consensual. No entanto, qualquer um percebe que o conceito de sucesso está longe de ser absoluto. Um aluno só tem sucesso se alcançar classificações de 18 valores? Será que um docente não é bem sucedido se conseguir que um aluno, com um percurso escolar cheio de debilidades, consiga atingir classificações satisfatórias? Onde é mais necessária a intervenção de um docente: junto de um aluno que tem um bom percurso escolar, inserido num contexto favorável à aprendizagem, visando subir a média de 18 para 19; ou, por outro lado, junto de um aluno carenciado, inserido num meio adverso? Questões como estas colocar-se-iam ad eternum… No tocante ao parecer dos encarregados de educação, que nem sempre serão os pais dos alunos, mas podem ser os próprios alunos (que são encarregados de educação de si mesmos), há várias nuances. Em que plano vão os E.E. avaliar os docentes? No plano pedagógico? Competência científica? Capacidade de relacionamento interpessoal? Com base em quê? Impressões colhidas por si ou pelos seus educandos? Onde estão a objectividade e o rigor defendidos pelo ministério? Finalmente, o objectivo que está por detrás desta proposta: reduzir custos. Tudo se resume a isto. Criar uma pista cheia de obstáculos para os professores tentarem ultrapassar um atrás do outro, num esquema quase maquiavélico, em que há alguém “lá em cima” que nos olha cá em baixo e diz: “Ele não sabe que, ainda que passe este, não vai passar o próximo… E na improbabilidade de isso acontecer, há muitos outros que o aguardam!”. A proposta não visa a implementação de um sistema meritocrático. Visa impedir que os docentes progridam para não auferirem melhores salários. O que não é dito pelos responsáveis do ministério é que, ainda que os docentes cumpram todos os requisitos para a progressão, esta está dependente da abertura de vagas, terá acesso condicionado. Muitos docentes têm já garantias de que, ainda que mereçam e consigam passar todos os obstáculos do percurso, quem ri por último é o Ministério da Educação… Num país cinzento, onde as cores se esbateram nos discursos e a esperança mora ao lado de todos nós… A Rainha de Copas dita as leis… E este está longe de ser o País das Maravilhas.
MAGDA BORGES - Docente
in Jornal da Madeira 10/07/06
Ministério Público acusa pais agressores
Esta é a oportunidade para punir exemplarmente os agressores fazer justiça e contribuir para um reforço da autoridade dos docentes, no sentido de transformar as escolas em locais de aprendizagem em que todos se sintam seguros em vez de campos de batalha em que todos se degladiame onde reina um clima de constante violência. Esperemos que o bom senso impere neste caso para não virmos a assistir um dia destes à crucificação da professora para a Sinistra poder concluir que também são os professores os responsáveis pela violência nas escolas.
Já nada me surpreende!...
Lusitano
Agressão dá acusação
O Ministério Público formalizou uma acusação contra os familiares do aluno da Escola Básica do primeiro ciclo nº. 77, no Lumiar, que agrediram em Junho duas professoras
Esta informação foi dada à Lusa por fonte do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP).
Em declarações à agência de notícias, a mesma fonte explicou que o inquérito instaurado pelas agressões a dois professores "terminou com dedução de acusação" e durou menos de um mês a concluir.
Os factos ocorreram a 9 de Junho e envolveram "familiar ou familiares" de um aluno daquela escola (EB1 S. Gonçalo).
O inquérito foi dirigido por um magistrado do DIAP de Lisboa, coadjuvado pela divisão de investigação criminal da PSP de Lisboa.
A agressão aos professores, dentro do estabelecimento de ensino, levou na altura os colegas destes docentes a encerrarem a escola durante dois dias por falta de segurança
LUSA (15:59) 10/07/06
O Ministério Público formalizou uma acusação contra os familiares do aluno da Escola Básica do primeiro ciclo nº. 77, no Lumiar, que agrediram em Junho duas professoras
Esta informação foi dada à Lusa por fonte do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP).
Em declarações à agência de notícias, a mesma fonte explicou que o inquérito instaurado pelas agressões a dois professores "terminou com dedução de acusação" e durou menos de um mês a concluir.
Os factos ocorreram a 9 de Junho e envolveram "familiar ou familiares" de um aluno daquela escola (EB1 S. Gonçalo).
O inquérito foi dirigido por um magistrado do DIAP de Lisboa, coadjuvado pela divisão de investigação criminal da PSP de Lisboa.
A agressão aos professores, dentro do estabelecimento de ensino, levou na altura os colegas destes docentes a encerrarem a escola durante dois dias por falta de segurança
sábado, julho 08, 2006
Para LER, PENSAR e, se possível, PARTILHAR
E esta!? Hem!!!
Leiam com atenção a reflexão deste engenheiro.
Eu acho que este raciocínio do Sr. Engenheiro é...bastante engenhoso.
Mas eu acrescentava um ponto prévio. Exijam aos Conselhos Executivos que vos marquem as 35 horas no horário. E fora dessas horas...não há nada p'ra ninguém.
Se nos retiram a "benesse" de sermos um corpo especial. Então passamos a cumprir horário de repartição pública.
Lusitano
A propósito das avaliações e do processo continuado de desacreditação dos Professores que a Ministra quer impor à opinião pública, gostaria que os Professores pensassem no seguinte:
Em vez de fazerem greves inócuas, que ainda por cima cheiram a férias desapropriadas entre feriados, os professores deviam pensar seriamente em cumprir integralmente nas suas escolas o seu horário de trabalho. Passo a explicar:
Pela manhã, TODOS os professores se apresentavam nas suas escolas para iniciarem o seu dia de trabalho. Agora vai ser necessário um pouco de aritmética, mas da mais básica. Se um professor tem 3 horas de aulas num dia, cumpre mais quatro horas de permanência na escola. Nessas quatro horas é suposto corrigir testes, preparar aulas, elaborar enunciados das provas, etc.,etc. tudo o que se relacione com a sua profissão e que normalmente está habituado (mal) a fazer em casa. É também suposto utilizar as secretárias, as cadeiras, os computadores e as impressoras da escola para o seu trabalho.É que também é suposto que, antes de exigir resultados, a escola lhe forneça condições de trabalho.
No final das sete horas de trabalho diário (7 x 5 = 35) saíam da escola para casa, deixando na escola o trabalho que ficou por fazer .
Facilmente os Conselhos Executivos chegarão à conclusão que a escola não oferece condições aos professores para que estes trabalhem, e terão que o comunicar ao Ministério, ou não há seriedade. Ou tentarão os Conselhos Executivos agir de forma a convencerem os professores de que como estes se acotovelam na escola o melhor será irem para casa?
Mas poderão os professores ser penalizados por quererem exercer o seu trabalho no local de trabalho que lhes está por natureza determinado?
Deixem de ser um bando e passem a actuar como um grupo. TODOS para as escolas desde manhã a cumprir o horário de trabalho na escola, o local de trabalho natural. Atasquem completamente as escolas com a vossa presença e deixem que a ausência de condições de trabalho faça o resto. Deixem-se de greves inócuas e atrapalhem verdadeiramente o sistema de forma legal.
Provem de uma vez por todas que querem trabalhar e que este patrão não vos dá condições de trabalho apesar de vos exigir resultados, e ainda por cima enxovalhando-vos continuamente.
Substituam os sindicalistas que vos representam tão mal e que já não sabem o que é dar uma aula há mais de 20 anos por Professores que saibam discutir os assuntos de forma séria. Sejam de uma vez por todos PROFESSORES UNIDOS. Se assim não for, rendam-se às evidências e façam o trabalho dos auxiliares educativos que ajudam o ministério a poupar uns cobres.
E NÃO SE QUEIXEM.
Para quem não sabe, *não sou professor*. *Sou um reles engenheiro* que às vezes pensa nestas coisas, muitas delas quando às quatro ou cinco da manhã grito para a minha mulher que está no escritório a corrigir testes e pergunto se não se vem deitar.Agora façam a vossa parte. Divulguem esta reflexão a todos os vossos amigos, especialmente os professores. Comecem a divulgar esta ideia e pode ser que tenham um futuro melhor.
Artur Guindeira - Engenheiro
quinta-feira, julho 06, 2006
Representatividade dos Sindicatos???...
Porque é que eles têm tanto medo de medir a representatividade???
O que é que as Centrais Sindicais têm a ver com os representantes dos professores???
Porque é que querem reduzir a represntatividade dos Sindicatos Independentes???
Porque é que eles são os mesmos desde há 30 anos???
Hoje deu-me para as interrogações. Há dias assim.
Mas lá que dá que pensar...ai isso dá!!!...
Lusitano
Federação esteve reunida com o Ministério da Educação
Fenprof quer representatividade sindical confirmada pelas escolas
A Federação Nacional de Professores (Fenprof) propôs hoje a realização de um levantamento, escola a escola, do número de docentes afectos a cada um dos sindicatos para melhor aferir a respectiva representatividade na distribuição de créditos sindicais.
Em comunicado, a Fenprof diz ter manifestado ao Ministério da Educação, numa reunião realizada hoje, em Lisboa, a sua concordância com a medição da representatividade sindical na atribuição dos créditos, mas exigiu a adopção de critérios "rigorosos, objectivos e transparentes"."Por essa razão, [a Fenprof] propôs como critério mais relevante o levantamento escola a escola do número de professores que descontam para cada organização sindical", afirmou a organização.O Ministério da Educação anunciou no final de Junho a intenção de reduzir de 450 para 300 o número de docentes que se encontram sem dar aulas a exercer funções sindicais. A tutela quer distribuir os 300 lugares de acordo com um critério de representatividade relacionado com o número de associados de cada sindicato, explicou na altura o secretário de Estado Adjunto da Educação, Jorge Pedreira, que hoje manteve uma ronda de reuniões negociais com as federações.
A Federação Nacional de Professores (Fenprof) propôs hoje a realização de um levantamento, escola a escola, do número de docentes afectos a cada um dos sindicatos para melhor aferir a respectiva representatividade na distribuição de créditos sindicais.
Em comunicado, a Fenprof diz ter manifestado ao Ministério da Educação, numa reunião realizada hoje, em Lisboa, a sua concordância com a medição da representatividade sindical na atribuição dos créditos, mas exigiu a adopção de critérios "rigorosos, objectivos e transparentes"."Por essa razão, [a Fenprof] propôs como critério mais relevante o levantamento escola a escola do número de professores que descontam para cada organização sindical", afirmou a organização.O Ministério da Educação anunciou no final de Junho a intenção de reduzir de 450 para 300 o número de docentes que se encontram sem dar aulas a exercer funções sindicais. A tutela quer distribuir os 300 lugares de acordo com um critério de representatividade relacionado com o número de associados de cada sindicato, explicou na altura o secretário de Estado Adjunto da Educação, Jorge Pedreira, que hoje manteve uma ronda de reuniões negociais com as federações.
Também hoje, duas federações sindicais afectas à UGT rejeitaram a proposta da tutela, criticando os critérios de distribuição dos lugares.Para a Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE) e a Federação Nacional do Ensino e Investigação (Fenei), o número de créditos sindicais deve ser distribuído maioritariamente pela UGT e CGTP, cabendo às duas confederações a repartição dos lugares pelos seus sindicatos.Os restantes lugares devem ser disponibilizados aos sindicatos independentes, que não são afectos a nenhuma das confederações, à semelhança do que aconteceu no ano passado, quando o Governo reduziu de 1.327 para 450 o número de professores a exercer funções sindicais a tempo inteiro, defendem.Sobre a revisão do Estatuto da Carreira do Docente (ECD), a Fenprof afirma que a tutela se limitou hoje "a discutir prazos e metodologia de trabalho a desenvolver" e contestou o facto do ministério introduzir alterações à margem de qualquer processo negocial." É o caso do despacho 13599/2006 (...) que pretendendo definir normas de organização e funcionamento do próximo ano lectivo vem alterar aspectos relacionados com horários de trabalho, componentes lectiva e não lectiva ou regime de faltas", explicou a Fenprof.A Fenprof manifestou ainda um "profundo desacordo" pelo facto de matérias como a reconversão profissional de professores permanentemente incapacitados e as novas regras de contratação de docentes não serem consideradas no âmbito da revisão do ECD.
In Jornal Público 05.07.2006 - 20h21 Lusa
quarta-feira, julho 05, 2006
Pois, pois!... Avaliar quem?!
Como se pode verificar, ainda há gente com bom senso.
Mas... infelizmente...quem tem bom senso, neste país, não é convidado ou se calhar, não aceita ser ministro.
Lusitano
Quem nos tem lido, neste prestigiado jornal, ao longo destes cerca de nove anos de empenhada e ininterrupta colaboração, para além de muitas outras presenças, em muitos outros jornais e revistas de maior ou menor expressão e tiragem, nacionais ou regionais, desde há quatro décadas a esta parte, pode muito bem constatar e testemunhar, por um lado, a veemência e a paixão com que abordámos os vários assuntos e temáticas em apreço e, por outro lado, a preocupação sempre constante com que desfiámos, por sistema, todo um conjunto de alternativas face às críticas e chamadas de atenção, cujo enfoque considerámos necessário fazer incidir sobre, nomeadamente, as problemáticas que nos são mais caras, como é o caso da Educação e do Ensino, em particular e, em geral, quando se trata de matérias ligadas à política e/ou às políticas consideradas nas suas várias vertentes sistémicas.
Começámos por apontar a importância das alternativas que sempre devemos sugerir, não só porque tem sido a nossa prática habitual, mas também porque temos lido, aqui e ali, uma ou outra crónica de certos distraídos, ou tão só demagogos — destemperos que apontam para quadros de “nonsense” ou injustificadas atitudes, comportamentos e práticas de quem, por exemplo, no caso dos professores, protesta, contesta e reprova as medidas de precipitada inconsequência por parte de uma ministra que visa apenas poupar dinheiro ao orçamento geral do estado, buscando paralelamente as simpatias dos paizinhos, porque estes podem significar muitos votos a não desperdiçar.
Recordam-se, por certo, de centenas de títulos do género: “A Importância da Educação”; “A Educação dos Afectos”; “Educar para a Cidadania”; Educação Sexual em Contexto Escolar”; “Escola Espartilhada ou Tão Só à Deriva”; “O Cidadão Bilingue”; “Talentos em Embrião”; “A Construção Curricular e os seus (D)efeitos”, etc.. etc.. etc., onde apontámos mil caminhos alternativos àqueles que estavam a ser seguidos pela tutela, tendo demonstrado por “a” mais “b” que se estava a enveredar pelo rumo inverso ao aconselhável. Lembram-se, com certeza, de termos sempre defendido a necessidade fulcral de respeitar a curva de aprendizagem dos meninos “estudantes”, que não se compadece com os aumentos irracionais das horas de leccionação, nem com a sobrecarga dos dias lectivos, impostos por pessoas que nada entendem de educação. Têm ainda presente, estamos em crer, quantas vezes nos insurgimos contra o inexplicável controlo exercido pelo Ministério da Educação sobre os professores; o surpreendente espartilho legislativo que sistematicamente impõe horas para isto e para aquilo; quando estar dentro ou fora das salas de aula; quando fazer ou não fazer formação; quando reunir, e por quanto tempo, ou quando falar com os pais e quando não falar, sob pena de incorrer nalguma sanção disciplinar; quando leccionar e o quê... Bem, perante tal quadro em que a classe docente não passe de um conjunto ordeiro e amorfo de títeres amestrados, não vemos qualquer viabilidade em avaliar os professores, pois estes não podem ser responsabilizados por aquilo que os não deixam fazer. Importa, portanto, avaliar o Ministério da Educação e principalmente a actual ministra, para podermos concluir o alcance funesto de mais este pacote de medidas que a mesma impôs ao longo do ano que ora finda e que não levou a nada a não ser a uma ainda maior descaracterização da classe, descontentamento, frustração e empobrecimento.
Nota: Há dias lemos uma notícia veiculada pela “LUSA”, dando conta de que o congelamento da carreira docente teria tido o seu início em Janeiro de 2006. Trata-se de uma informação completamente errada: a carreira dos educadores e professores do ensino não superior encontra-se congelada desde 1 de Setembro de 2005.
Bragança dos Santos - in Primeiro de Janeiro 05/07/06
terça-feira, julho 04, 2006
Ministra, professores e sindicatos
Não sei se a "Sinistra da Educação" já se apercebeu de que a opinião pública é uma coisa muito volátil.
Tal como os ventos e as marés, estão em constante mudança...
Cada vez mais vozes se levantam e, não são apenas de professores.
Lusitano
Joaquim Jorge - Biólogo· in Primeiro de Janeiro 04 de Julho de 2006
Escreve no JANEIRO, quinzenalmente, às segundas-feiras
Tal como os ventos e as marés, estão em constante mudança...
Cada vez mais vozes se levantam e, não são apenas de professores.
Lusitano
Gostava de vos dizer que não pensava tão cedo voltar a falar de Educação, mas perante a sobranceria menosprezadora e a mensagem que a Ministra procura passar de que os professores são uma classe com vantagens exclusivas, não resisti. Aproveito para vos informar que não pertenço a nenhum sindicato. Os professores marcaram uma greve para o dia 14 de Junho, 4ªfeira, sendo feriado nacional no dia 15 de Junho e na área de Lisboa, no dia anterior, dia 13 de Junho.
A Ministra, em vez de procurar perceber, os sinais desta insatisfação e indignação, por esta classe amesquinhada e depreciada, em que parece que só tem obrigações e não tem direitos, faz uma fuga para a frente, acusando os sindicatos de marcarem a greve, para dar azo a umas mini-férias. Quando alguém marca uma greve procura ter o maior número de aderentes. Isso é inquestionável. A Ministra que semeou ventos e colheu tempestades, não deve vir a terreiro, procurar minimizar os efeitos do êxito desta iniciativa, em defesa de alguns parcos direitos e não de regalias, que eu não sei onde estão! Se alguém me quiser explicar e dizer agradeço! O desconhecimento do que se tem passado ao longo destes anos nas escolas, demonstra que o país tem que se virar para a educação por bem e não contra os professores, que sempre foram vitimas do sistema. Tentar contrapor que o importante é discutir os efeitos da paralisação, para os outros professores, que não fizeram greve e para os alunos é uma falácia, só falta dizer que os professores que não aderiram à greve vão ser premiados na avaliação do desempenho.
Sra. Ministra o direito à greve é inalienável, consagrado na Constituição, e saiba que se os professores não aderiram mais, foi porque o dinheiro descontado nesta forma de protesto, pesa no fim do mês, pois são dos corpos especiais da função pública, os mais mal pagos. Ainda não percebeu que não se podem conquistar pessoas com luvas de boxe? Arrepie caminho e perceba as indicações dadas pelos professores, que estão com boas intenções e claro, há muitas coisas que têm de ser mudadas na educação, a começar pelo funcionamento do Ministério. Apercebendo-se que a proposta de avaliação dos professores pelos pais e a que os professores que são doentes crónicos (incapacitados para dar aulas mas aptos para outras funções respeitando as suas habilitações), iriam para o desemprego, não caiu bem nos portugueses. O respeito pela saúde deve ser entendido duma forma humana e socialmente aceite. Ninguém está livre de ficar doente, inclisivé os nossos governantes. Faz-me lembrar a Alemanha de Hitler, que praticava a eugenia e eliminava os mais fracos. Daí toca a desdobrar-se em entrevistas quer na radio e jornais, por coincidência ou não, procurou desviar a atenção do essencial e informou a comunicação social, que existem muitos professores a trabalhar nos sindicatos. Eu e os portugueses gostaríamos de saber quantos professores trabalham no ministério da educação e nas direcções regionais pagos pelo erário público? O dever da Ministra, é preocupar-se com a qualidade da educação e não com os sindicatos! É necessário que se saiba que todos os corpos especiais da função pública, como médicos, enfermeiros, polícias, militares, etc. , progrediam nas suas carreiras de uma forma semelhante à dos professores, não tendo estes, nenhumas prerrogativas extras. A ideia que passa, que os professores são uns beneficiados, só tem eco numa minoria sedenta de revanchismo ou de alguns professores que se julgam os melhores. O grau de excelência ou bom há muito que está consagrado no estatuto porém nunca foi regulamentado. Mas temos que entender, que existem professores que procuram ter um comportamento normal, empatia com os alunos, ensinando (que eufemismo!), não sendo por isso, que deverão ser arredados de progredir na sua carreira.
Com atitudes de inflexibilidade, o Governo de Cavaco, teve passagem para sair de S.Bento (o buzinão na ponte e o feriado do Carnaval). A história repete-se, eu lembro-me de ver um primeiro-ministro, defender os seus ministros de uma forma alheada do real e depois foi o que se viu...
Uma coisa eu sei, os professores são-no sempre e os ministros não.
Joaquim Jorge - Biólogo· in Primeiro de Janeiro 04 de Julho de 2006
Escreve no JANEIRO, quinzenalmente, às segundas-feiras
segunda-feira, julho 03, 2006
DREN manda encerrar Escola Oliveira Martins
Não!...
Estas coisas não estão a acontecer!...
Trapalhadas?.. Isso era no governo do Santana Lopes.
Cá p'ra mim, não me admiraria nada que daqui a dois ou três anos nascesse um empreendimento no lugar da escola.
Pois... mais vale um condomínio pacífico que uma escola violenta!!!
Indignação e revolta é o sentimento geral dos alunos, funcionários e professores da Escola Secundária Oliveira Martins, no Porto, que esta semana recebeu a informação da Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) de que o estabelecimento de ensino seria encerrado no final do Verão. Ontem, os estudantes concentraram-se em protesto contra uma medida que consideram discriminatória."Não há razões para se encerrar esta escola. Não existe falta de alunos mas o que é mais indecente é que a decisão tenha sido tomada sem a consulta a quem cá trabalha e tenha sido enviada para cá via fax", referiu ao DN Filomena Cardoso Pinto, funcionária deste estabelecimento de ensino, situado na zona das Antas.Todos foram "apanhados de surpresa" e contestam a "forma fria" utilizada pela DREN para informar a direcção da escola. Neste momento, e em final de ano lectivo, os alunos não sabem para onde serão transferidos e os professores estão apreensivos quanto à sua colocação noutras escolas, pois os quadros já estão preenchidos. "Estamos neste momento a frequentar o curso profissional de práticas administrativas, que, no Porto, era apenas leccionado nesta escola. Agora não sei o que vai acontecer, se nos vão colocar em escolas da periferia e se nos vão pagar os transportes", diz Tânia Alves, uma das alunas que ontem participaram no protesto seguido de uma marcha lenta até à DREN. "Uma coisa é certa. Vamos ficar todos separados e perder os nossos professores", lamenta.Já os docentes do quadro preocupam-se com a futura colocação. Os mais velhos têm lugar assegurado noutras escolas, retirando o lugar a quem tiver menos anos de serviço. Os mais novos, exactamente por esse motivo, dificilmente encontrarão, nesta altura, uma escola para leccionar. "Eu que sou a mais nova aqui tenho a certeza de que este ano não vou dar aulas. Lamento que decisões como esta, por muito válidas, sejam tomadas numa altura destas", salienta uma das professoras.A falta de alunos, uma das razões invocadas para o encerramento, é contestada pela escola, uma vez que "para o próximo ano lectivo estão inscritos 450 alunos". O argumento de que a Oliveira Martins é "um estabelecimento de ensino violento" é também repudiado. O conselho directivo recusa prestar declarações sobre o encerramento. O DN tentou ainda ouvir a DREN, mas tal não foi possível, dado a direcção se encontrar em Lisboa para a tomada de posse oficial.
Indignação e revolta é o sentimento geral dos alunos, funcionários e professores da Escola Secundária Oliveira Martins, no Porto, que esta semana recebeu a informação da Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) de que o estabelecimento de ensino seria encerrado no final do Verão. Ontem, os estudantes concentraram-se em protesto contra uma medida que consideram discriminatória."Não há razões para se encerrar esta escola. Não existe falta de alunos mas o que é mais indecente é que a decisão tenha sido tomada sem a consulta a quem cá trabalha e tenha sido enviada para cá via fax", referiu ao DN Filomena Cardoso Pinto, funcionária deste estabelecimento de ensino, situado na zona das Antas.Todos foram "apanhados de surpresa" e contestam a "forma fria" utilizada pela DREN para informar a direcção da escola. Neste momento, e em final de ano lectivo, os alunos não sabem para onde serão transferidos e os professores estão apreensivos quanto à sua colocação noutras escolas, pois os quadros já estão preenchidos. "Estamos neste momento a frequentar o curso profissional de práticas administrativas, que, no Porto, era apenas leccionado nesta escola. Agora não sei o que vai acontecer, se nos vão colocar em escolas da periferia e se nos vão pagar os transportes", diz Tânia Alves, uma das alunas que ontem participaram no protesto seguido de uma marcha lenta até à DREN. "Uma coisa é certa. Vamos ficar todos separados e perder os nossos professores", lamenta.Já os docentes do quadro preocupam-se com a futura colocação. Os mais velhos têm lugar assegurado noutras escolas, retirando o lugar a quem tiver menos anos de serviço. Os mais novos, exactamente por esse motivo, dificilmente encontrarão, nesta altura, uma escola para leccionar. "Eu que sou a mais nova aqui tenho a certeza de que este ano não vou dar aulas. Lamento que decisões como esta, por muito válidas, sejam tomadas numa altura destas", salienta uma das professoras.A falta de alunos, uma das razões invocadas para o encerramento, é contestada pela escola, uma vez que "para o próximo ano lectivo estão inscritos 450 alunos". O argumento de que a Oliveira Martins é "um estabelecimento de ensino violento" é também repudiado. O conselho directivo recusa prestar declarações sobre o encerramento. O DN tentou ainda ouvir a DREN, mas tal não foi possível, dado a direcção se encontrar em Lisboa para a tomada de posse oficial.
Alfredo Teixeira - in DN 01/0706

