Coisas da Educação

O Blog onde se pode falar abertamente sobre temas de educação. Não é obrigatório dizer mal do Governo, mas se tiverem que dizer mal, não se inibam... se, porventura conseguirem encontrar uma boa razão para dizer bem... também se arranja um cantinho para isso. Diremos o que nos vai na alma... ainda qua a alma nos doa... pode ser que assim... deixe de nos doer. Para além disso, tentaremos mostrar o que por aí se vai dizendo e escrevendo sobre educação. Não deixem de comentar...

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Localização: Torres Vedras, Portugal

quarta-feira, julho 05, 2006

Pois, pois!... Avaliar quem?!

Como se pode verificar, ainda há gente com bom senso.
Mas... infelizmente...quem tem bom senso, neste país, não é convidado ou se calhar, não aceita ser ministro.
Lusitano
Quem nos tem lido, neste prestigiado jornal, ao longo destes cerca de nove anos de empenhada e ininterrupta colaboração, para além de muitas outras presenças, em muitos outros jornais e revistas de maior ou menor expressão e tiragem, nacionais ou regionais, desde há quatro décadas a esta parte, pode muito bem constatar e testemunhar, por um lado, a veemência e a paixão com que abordámos os vários assuntos e temáticas em apreço e, por outro lado, a preocupação sempre constante com que desfiámos, por sistema, todo um conjunto de alternativas face às críticas e chamadas de atenção, cujo enfoque considerámos necessário fazer incidir sobre, nomeadamente, as problemáticas que nos são mais caras, como é o caso da Educação e do Ensino, em particular e, em geral, quando se trata de matérias ligadas à política e/ou às políticas consideradas nas suas várias vertentes sistémicas.
Começámos por apontar a importância das alternativas que sempre devemos sugerir, não só porque tem sido a nossa prática habitual, mas também porque temos lido, aqui e ali, uma ou outra crónica de certos distraídos, ou tão só demagogos — destemperos que apontam para quadros de “nonsense” ou injustificadas atitudes, comportamentos e práticas de quem, por exemplo, no caso dos professores, protesta, contesta e reprova as medidas de precipitada inconsequência por parte de uma ministra que visa apenas poupar dinheiro ao orçamento geral do estado, buscando paralelamente as simpatias dos paizinhos, porque estes podem significar muitos votos a não desperdiçar.
Recordam-se, por certo, de centenas de títulos do género: “A Importância da Educação”; “A Educação dos Afectos”; “Educar para a Cidadania”; Educação Sexual em Contexto Escolar”; “Escola Espartilhada ou Tão Só à Deriva”; “O Cidadão Bilingue”; “Talentos em Embrião”; “A Construção Curricular e os seus (D)efeitos”, etc.. etc.. etc., onde apontámos mil caminhos alternativos àqueles que estavam a ser seguidos pela tutela, tendo demonstrado por “a” mais “b” que se estava a enveredar pelo rumo inverso ao aconselhável. Lembram-se, com certeza, de termos sempre defendido a necessidade fulcral de respeitar a curva de aprendizagem dos meninos “estudantes”, que não se compadece com os aumentos irracionais das horas de leccionação, nem com a sobrecarga dos dias lectivos, impostos por pessoas que nada entendem de educação. Têm ainda presente, estamos em crer, quantas vezes nos insurgimos contra o inexplicável controlo exercido pelo Ministério da Educação sobre os professores; o surpreendente espartilho legislativo que sistematicamente impõe horas para isto e para aquilo; quando estar dentro ou fora das salas de aula; quando fazer ou não fazer formação; quando reunir, e por quanto tempo, ou quando falar com os pais e quando não falar, sob pena de incorrer nalguma sanção disciplinar; quando leccionar e o quê... Bem, perante tal quadro em que a classe docente não passe de um conjunto ordeiro e amorfo de títeres amestrados, não vemos qualquer viabilidade em avaliar os professores, pois estes não podem ser responsabilizados por aquilo que os não deixam fazer. Importa, portanto, avaliar o Ministério da Educação e principalmente a actual ministra, para podermos concluir o alcance funesto de mais este pacote de medidas que a mesma impôs ao longo do ano que ora finda e que não levou a nada a não ser a uma ainda maior descaracterização da classe, descontentamento, frustração e empobrecimento.
Nota: Há dias lemos uma notícia veiculada pela “LUSA”, dando conta de que o congelamento da carreira docente teria tido o seu início em Janeiro de 2006. Trata-se de uma informação completamente errada: a carreira dos educadores e professores do ensino não superior encontra-se congelada desde 1 de Setembro de 2005.
Bragança dos Santos - in Primeiro de Janeiro 05/07/06