Coisas da Educação

O Blog onde se pode falar abertamente sobre temas de educação. Não é obrigatório dizer mal do Governo, mas se tiverem que dizer mal, não se inibam... se, porventura conseguirem encontrar uma boa razão para dizer bem... também se arranja um cantinho para isso. Diremos o que nos vai na alma... ainda qua a alma nos doa... pode ser que assim... deixe de nos doer. Para além disso, tentaremos mostrar o que por aí se vai dizendo e escrevendo sobre educação. Não deixem de comentar...

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Localização: Torres Vedras, Portugal

quarta-feira, julho 26, 2006

O logro

A coisa tá ficando preta!...
Só cai no logro que quer. Mas o povo começa a abrir os olhos.
O povo e o Ministro das Finanças. Não sei como é que o Sócrates vai resolver isto.
Eles os dois não se entendem quanto à contratação de professores pelas escolas...O Primeiro não diz nada.
Um dia destes não há mais margem de manobra e a "Sinistra" cai do pedestal.Vai-se partir a loiça toda!!! Mas não contem comigo para apanhar um caco que seja.
Até me ria, se isto não me desse vontade de chorar!...
Lusitano
A diferença não está nas actuais políticas educativas (que já existiam); a diferença está nas formas de comunicação dessas mudanças e no exercício de poder.
O que se tem tentado fazer passar permanentemente é “as más práticas” no sentido de criar um clima favorável à ruptura e no puro exercício de uma liderança coerciva.
Tem sido sistematicamente criado um clima de desconfiança face à escola, uma desresponsabilização do ministério, que não tem rosto e está lá longe, e uma diabolização dos professores que estão bem ali à mão.
Foi criada uma “agenda “ para a comunicação social em que a Ministra, com uma imagem de serenidade e seriedade, transmite o exercício de poder como cada um “acha que deve ser” (desde que não seja na nossa escola com o nosso filho) porque, parece que, também coloca na mão de cada família parte desse poder.
Está a ser efectuado, através da comunicação social, um exercício, não de persuasão, mas de pura manipulação.
A opção não foi a de instaurar um clima democrático, de negociação e de confiança com os agentes; o caminho foi o da manipulação da opinião pública, de incorporação negativa com vista a “arrumar!” os professores das negociações e da formulação das políticas e anular o efeito da acção dos sindicatos.
Mas manipular para quê, então as medidas não são boas por si?
É que o objectivo é outro, e aqui somos chegados ao para quê?
O que se pretende de facto é criar o clima para a alteração ao ECD que mais não é do que um documento de regulação da carreira. Os princípios da proposta da ECD não são questionáveis, assentam nos estudos das ciências da educação sobre a profissão, sobre avaliação, etc. A questão é que a proposta de ECD traduz-se em mecanismo de controlo de acesso e promoção na carreira. Tudo o que se refere ao mérito cai, caindo com isso a retórica do “simplex”, da qualificação e do mérito, tão a gosto deste governo.
Os mestrados que agora correspondem a 4 anos de bonificação na carreira desaparecem e o grau de Doutor (o tal que daria para ser Ministro da Educação) passa de uma bonificação de 6 anos para apenas três e nem sequer é condição para passar a Titular (fica rasca à mesma!). “Como tão bem prega Frei Tomás, olha para o que ele diz e não para o que faz”. Mas há eco disto, claro que não, o que passa na comunicação é que os professores não querem ser avaliados pelos pais! Ter dois Muito Bom consecutivos ao longo de seis anos bonificará um ano para progressão e ter Bom bonificará seis meses, para além da burocracia, a não regulamentação (habitual) e as cotas para a sua atribuição impedirão a sua atribuição. O melhor mesmo é contentar-se em ser suficiente toda a vida. Todos quantos estão na faixa dos 40 e com cerca de 18 anos de serviço vêem as suas possibilidades de carreiras bloqueadas, tanto faz que sejam Muito Bons, muito formados ao longo da vida ou até doutores. Estes professores que não estão no 9º escalão não passam para a carreira de titular, à qual o acesso está condicionado pela realização de um concurso. Até aqui, sem problema, mas a existência um quadro de professores titulares correspondente a 1/3 dos professores da escola/agrupamento, que ficará bloqueado desde já pelas equiparações, implica um adeus à carreira nos próximos 15 a 20 anos. Suponham que tinham 18 anos de função, 40 de idade, um mestrado e que eram efectivos há mais de 12 anos numa escola, não seriam equiparados a titulares e quando quisessem mudar para esta carreira teriam que concorrer provavelmente para Freixo de Espada à Cinta, onde não deve haver muitos professores titulares! Lá se vai a retórica das equipes pedagógicas constantes para ciclos de ensino, tão promovida com os concursos para três e quatro anos, o que demonstra que já estas duas políticas cruzadas visavam aprisionar todos na mediocracia com vista à poupança.
Ainda falta analisar como se institui o cargo de director, devagarinho...Para ser presidente do executivo, (além da vontade) há que ser simultaneamente professor titular e ter especialização adequada, o que em muitos casos vai corresponder a mais um elemento para o clube dos conjuntos vazios da matemática desta Ministra, logo abre-se concurso para Director, e mais nada!!!
Concluindo, que a conversa já vai longa, o dinheiro gasta-se em cerca de 90% com os professores, há que cortar custos, logo “abatem-se” os professores nas suas carreiras. Nem era preciso ser economista, nem contabilista, nem doutor bastava ser dona de casa ou ter um pequeno salário. Mais simplex era difícil. É difícil entender é como é que a “Sociologia” do trabalho e/ou da educação ou as Ciências da Educação convivem com estas políticas economicistas encapotadas e acreditam ( ou não?) que assim os resultados serão melhores.A questão com que vos deixo é saber se a escola melhorou desde que esta Ministra coage, se os resultados são melhores, se o clima é melhor, se a motivação aumentou?Como vamos fazer-nos ouvir, com os sindicatos cada um por si, como sempre? Como vamos mudar, dando 5 a todos para uma escola de excelência e “caçando” quem abandona para não ter itens de avaliação estatísticos de resultados e abandono negativos como se propõem no ECD? Esperando e não tendo esperança? Viu-se no debate Parlamentar sobre a repetição dos exames do 12º ano como a Sr.ª Ministra, sem comunicação social e as suas manipulações a intermediar, se descontrolou e não soube explicar como se está tudo a correr bem o porquê da repetição. Aqui não podia culpar os professores, logo não há culpados.
Explique-nos devagarinho — e sem comunicação social pelo meio .Qual a Visão do Governo para a Educação nos próximos anos?
Qual a Missão para as Escolas e autonomia financeira e pedagógica para as definir e assumir?
Quais os objectivos das medidas e as formas de controlo e avaliação das próprias medidas?
Aurora Vieira - Professora
In Primeiro de Janeiro - 26/07/06