Três em quatro professores contra Ministério
Cerca de 90 por cento sentem-se pouco apoiados pela tutela, conclui inquérito
Três em cada quatro docentes estão insatisfeitos com as políticas do Ministério da Educação (ME) e cerca de 90 por cento sentem-se pouco apoiados pela tutela, conclui um inquérito apresentado hoje pela Associação Nacional de Professores (ANP), noticia a Lusa.
Segundo esta pesquisa, elaborada pelo Instituto Politécnico de Castelo Branco com base numa amostra de 3.252 professores de todo o país e de todos os níveis de ensino - num universo de 148.000 docentes - 74,9 por cento dos inquiridos consideram que as medidas introduzidas pelo ME não são as mais adequadas.
A nível pessoal, a maioria dos docentes diz-se satisfeita com o seu desempenho profissional e tem uma boa auto-imagem do seu trabalho, mas quase 44 por cento não escolheriam ser professores, se hoje pudessem voltar atrás.
Para esta ideia muito parece contribuir o facto de quase dois terços dos professores sentirem que o seu trabalho não é reconhecido e de mais de 92 por cento estarem preocupados com o futuro profissional.
A escola não parece, no entanto, ser um problema para a maioria dos educadores, que dizem estar satisfeitos com o ambiente interno, com os órgãos de gestão e com a atenção que os estabelecimentos de ensino disponibilizam às crianças e jovens com necessidades educativas especiais.
Maior preocupação trazem os alunos, que mais de 60 por cento dos professores inquiridos consideram manifestar pouco interesse nas aprendizagens.
Para a ANP, que encomendou este inquérito, os índices de descontentamento no sector são preocupantes, havendo o risco de se assistir a «uma deserção dos profissionais e a uma falta de alunos a querer seguir a profissão, como já está a acontecer em vários países da Europa».
«O mal-estar que hoje se sente tem muito a ver com as afirmações dos governantes e com uma exposição social negativa. Com estes elementos, a ministra deve parar um pouco para pensar e reequacionar a opinião que tem dos professores», afirmou o presidente da ANP, João Grancho, em conferência de imprensa hoje em Lisboa.
Realizado entre 24 de Fevereiro e 10 de Maio, o inquérito decorreu antes de ser apresentada a proposta da tutela de alteração ao Estatuto da Carreira Docente (ECD), que prevê, entre outras coisas, a participação dos pais na avaliação dos professores e a imposição de quotas na progressão na carreira, aspectos que estão actualmente a gerar grande polémica entre a classe.
in Portugal Diário - 2006/06/09
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