Coisas da Educação

O Blog onde se pode falar abertamente sobre temas de educação. Não é obrigatório dizer mal do Governo, mas se tiverem que dizer mal, não se inibam... se, porventura conseguirem encontrar uma boa razão para dizer bem... também se arranja um cantinho para isso. Diremos o que nos vai na alma... ainda qua a alma nos doa... pode ser que assim... deixe de nos doer. Para além disso, tentaremos mostrar o que por aí se vai dizendo e escrevendo sobre educação. Não deixem de comentar...

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segunda-feira, junho 12, 2006

Desconsideração Estranha

Que eu saiba, não conheço, neste momento nenhuma classe tão debaixo de fogo como a dos professores. Para isto, tem contribuido, desde há anos, o Ministério da Educação.
Primeiro, por ter possibilitado a indisciplina de muitos alunos que, por vezes, deduzem como impune o seu mau comportamento dentro da escola. Um apertado bloqueio oficial feito aos professores deu como resultado uma indomável anarquia disciplinar.
Neste momento, algumas medidas anunciadas humilham injustamente uma classe para com a qual todos nós estamos em dívida. Há maus professores? Certamente que alguns. E os médicos? E os juízes? E os advogados? E os jornalistas? E os políticos? E os governantes? Da leitura feita ao que hoje se projecta, ficamos com a impressão de que nos encontramos indefesos perante uma nova espécie de inimigo público - os professsores - os quais urge combater. Trata-se de funcionários do Estado que, como todos os outros pesam no Orçamento, o que é particularmente gravoso em tempo de vacas magras. Parece haver qualquer coisa de recôndito ( no fundo, disfarçadamente, também uma tentativa de redução selvagem de despesas sem eliminar o despesismo) para desconceituar uma classe que, ultimamente, tem sido tratada como se fosse o perigoso adversário dos pais e das famílias.
Estaremos perante uma obsessão do Ministério da Educação que pretende criar simpatias onde supõe haver razões de queixa? Se não é, parece e, como outrora disse alguém, em política o que parece é.
O que agora surge - a prometida intervenção dos pais, assim, sem mais nem menos, que passarão a ser juízes dos professores - denota uma enciclopédica ignorância do que em geral se passa. As convocatórias feitas aos encarregados de educação para encontro com os directores de turma têm uma resposta escassa, atento o habitualmente reduzido número de presenças dos responsáveis pelos alunos. Exceptuem-se alguns espaços sociais onde as famílias tenham maior nível de cultura e mais capacidade para colaborarem com a escola e, por isso, compareçam com outros números ao convite que lhes é feito. Não estamos nos países nórdicos; estamos em Portugal!
Há um escalonamento persecutório que, atingindo actualmente e de modo estranho os professores, os desconsidera e humilha. E, o que é pior, os fragiliza ainda mais perante os alunos.
Ao Ministério da Educação compete educar, não destruir. E o que tem vindo a fazer parece que é mais destruir que educar.
Pacheco de Andrade ( in Voz da Verdade - 11/06/06)